Com a aprovação do primeiro curso de mestrado da Fundação Universidade Federal do Amapá, todas as unidades federativas brasileiras passam a ter pelo menos um programa de pós-graduação.

O curso de mestrado Integrado em Desenvolvimento Regional da instituição amapaense é um dos 174 projetos recomendados pelo Conselho Técnico Científico da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A lista foi divulgada, nesta segunda-feira, pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, e pelo presidente da Capes, Jorge Guimarães.

Entre as propostas aprovadas, também está o doutorado em Ciência Animal da Fundação Universidade Federal do Piauí, que será o primeiro curso de doutorado do estado do Piauí. O ministro Fernando Haddad disse que uma das características dos programas de pós-graduação é justamente o vínculo com a realidade local, o que pode contribuir para o desenvolvimento regional.

"É muito difícil que universidades do Sul ou do Sudeste tenham o mesmo entusiasmo, a mesma preocupação com questões ligadas à realidade do Norte ou do Nordeste como essas instituições que tiveram seus cursos aprovados poderão ter", observou ele

Já o presidente da Capes afirmou que nas regiões Centro-Oeste e Norte, especialmente, há um "déficit muito grande de recursos humanos qualificados". "Ao existir a possibilidade de ter um curso local, você está privilegiando a possibilidade de jovens dessa região se qualificarem na pós-graduação", ressaltou.

Neste ano, a Capes recebeu 502 propostas de abertura de novos cursos de pós-graduação em todo o país. O levantamento divulgado hoje é parcial porque 79 projetos ainda precisam ser avaliados. As 174 propostas aprovadas correspondem a 41% de um total de 423 avaliadas. Dessas, 249 não foram recomendadas pelo conselho.

Em 2004, 204 projetos (43%) foram aprovados e 267 não foram. Segundo o ministro da Educação, o percentual de cursos aprovados em 2005 está de acordo com os indicadores históricos observados no país.

As instituições públicas federais e estaduais apresentaram 165 propostas de mestrado e 77 de doutorado, em 2005. Já as privadas apresentaram 90 projetos de mestrado e 25 de doutorado. A Universidade de Brasília (UnB) foi a instituição que teve o maior número de cursos aprovados, sete no total.

O presidente da Capes explicou que, depois de autorizados os cursos, as universidades e demais instituições de ensino superior podem organizar o processo seletivo dos alunos. De acordo com Jorge Guimarães, as aulas devem começar em março do ano que vem. Segundo ele, as instituições que tiveram o pedido negado podem apresentar recurso à própria Capes e ao Conselho Nacional de Educação.

As propostas de abertura de novos cursos foram avaliadas entre os dias 13 e 15 de setembro pelos integrantes do Conselho Técnico Científico da Capes, integrado por 17 docentes-pesquisadores e pelos quatro dirigentes da instituição. Antes disso, os projetos já haviam sido analisados por comitês específicos de cada uma das 45 áreas da Capes.

As 174 propostas recomendadas pelo conselho vão se somar aos 3.023 cursos de pós-graduação que já estão em funcionamento no país, de acordo com os cálculos da Capes.