Os trabalhos de resgate no canteiro de obras da Estação Pinheiros da Linha 4 do Metrô, que ruiu às 14h55 da sexta-feira, abrindo uma cratera de 80 metros de diâmetro, seguem em ritmo lento neste sábado. De 5 a 10 pessoas que circulavam ou trabalhavam na região estão desaparecidas. Uma equipe com seis bombeiros, que escavava usando pás de mão, só conseguiu avançar 1,5 metro até a tarde deste sábado.

Para permitir a abertura de um buraco entre a área de deslizamento e o túnel, uma retroescavadeira retirava terra pela parte de cima. A cada ação da máquina, uma parte da terra do túnel cedia, o que atrasava o avanço – até para salvaguardar os soldados.

Um alojamento de operários está sendo demolido por causo do risco de desabamento. A construção estava muito próxima da borda do buraco. A empresa líder do consórcio responsável pela obra, a Odebrecht, informou que divulgará, ainda neste sábado, uma nota sobre o acidente.

Cheiro de gasolina

Outro trabalho que era feito consistia na fixação do guindaste, para o início da sua desmontagem. A equipe dos bombeiros utilizava máscaras de oxigênio, por causa do forte cheiro de gasolina no túnel – eles entraram pelo dutos de ventilação da Rua Ferreira Araújo, a 400 metros do local do acidente, e optaram por seguir pelo túnel do futuro ramal do metrô. Pela manhã, foram encontrados dois veículos nos escombros, um Gol e um Palio, a 35 metros de profundidade. Dois caminhões foram retirados, mas o trabalho teve de ser paralisado para estabilização do terreno e possível identificação de regiões com vítimas.

Segundo o major Marco Aurélio Alves Pinto, que coordenava as buscas do Corpo de Bombeiros, o primeiro vão de ar entre o túnel e o canteiro só deve ser aberto no fim da noite deste sábado. Os esforços se concentravam na busca de um microônibus da cooperativa Transcooper da linha 177-Y, que deveria estar a 20 metros de profundidade.

O motorista, Reinaldo Leite, de 44 anos, chegou a pedir socorro pelo rádio. Além dele, o cobrador Wescley da Silva e pelo menos duas pessoas, segundo testemunhas, estavam no lotação. No local do acidente, até as 13 horas, as famílias só encontravam apoio de 20 funcionários da Transcooper, que cobravam providências do prefeito Gilberto Kassab.

Segundo informações da Defesa Civil, 79 imóveis da região foram interditados. Parte dos moradores dessas residências se transferiram para a casa de familiares, enquanto que 34 pessoas foram acomodadas nos hotéis Golden Tower, L´Opera e Quality. Os imóveis permanecerão interditados até pelo menos a próxima quarta-feira, quando deverá estar pronto um laudo da perícia que está sendo feita para avaliação de risco.