Três a cada cinco pacientes que precisam fazer transplante de medula óssea no Brasil ainda dependem de doadores de outros países. A informação é do diretor do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Luiz Fernando Bouzas.

Segundo o diretor, embora apenas 40% dos transplantes sejam feitos com doadores voluntários nacionais, o percentual apresenta crescimento. "Até 2003, o Brasil só fornecia 11% de doadores para transplantes. Esse ano, já está com 40%", disse.

Para Bouzas, a tendência é ampliar esse percentual, com o crescimento que vem se verificando no número de doadores cadastrados no Registro Brasileiro de Doadores de Medula Óssea (Redome), que passou de 45 mil para 152 mil pessoas, de dezembro de 2003 a julho de 2005.

O diretor explica que o transplante de medula é necessário no tratamento de mais de 70 doenças, decorrentes do sangue e também do sistema imunológico, como leucemias, linfomas, doenças auto-imunes e ainda casos de falência da medula óssea. Atualmente, o Ministério da Saúde tem 40 centros credenciados, sendo oito para transplante com doador que não seja da própria família.

Adriel dos Santos, 10 anos, aguarda há um ano e meio na fila dos transplantes. A mãe dele, Luzinete Rodrigues dos Santos, disse que há dois anos e quatro meses o filho tem leucemia e faz tratamento. Eles moram na cidade de Carapebus, no norte fluminense e, pelo menos dez vezes por mês, precisam ir ao Rio de Janeiro, para fazer tratamento no Inca. Segundo Luzinete, eles chegam a gastar cinco horas na viagem de ida e volta.

Agora, Adriel finalmente conseguiu um doador e no dia 14 (sexta-feira) vai para São Paulo fazer os primeiros exames para a cirurgia, no hospital Amaral Carvalho, em Jaú.

Para Luzinete, a cirurgia será o fim de um período de apreensões. "É muito bom saber que ele vai fazer o transplante. É uma nova vida, porque até então a gente tem muita preocupação. Ele não pode ter nem resfriado, nem um machucado por causa da leucemia", disse.

A discussão sobre a necessidade de ampliação do número de doadores de medula acontece no 1º Seminário Internacional sobre Registro de Doadores Voluntários para Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas. O encontro, que acontece no Inca, reúne pela primeira vez no Brasil representantes dos principais registros de doadores de medula óssea do mundo, que já contam mais de 10 milhões de cadastrados.