A frase do presidente da Câmara, e governador eleito de Minas Gerais, Aécio Neves, resume o que foi o almoço da cúpula tucana que ocorreu hoje em Brasília. “Eu diria que os tucanos assinaram o bico aqui hoje”, disse Aécio. O partido decidiu consensualmente que fará uma oposição construtiva ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Participaram da reunião o presidente Fernando Henrique Cardoso, a direção nacional do PSDB, os sete governadores eleitos pelo partido e os governadores que estão em mandato e deixarão o cargo.

FHC, segundo Aécio e os governadores reeleitos de São Paulo, Geraldo Alckmin, e de Goiás, Marconi Perillo, deu um recado aos tucanos para que colaborem com o futuro do país. “O presidente disse que a hora é de colaborar com o futuro do país discutindo e aprovando projeto por projeto. Aqueles que forem bons para nação terão o apoio de todos nós”, disse Perillo. “O governo que está começando precisa de confiança e credibilidade e todo mundo tem obrigação de ajudar. Esta é nossa política e é isso que a população espera de nós”, disse Alckmin.

“O que nós decidimos aqui de forma consensual é que nós não seremos uma oposição para atrapalhar, seremos uma oposição construtiva”, disse Aécio. A posição vai de encontro ao discurso de alguns caciques tucanos no Congresso que até então estavam pregando uma oposição a Lula.

Esta atitude parte principalmente dos tucanos paulistas. Um dos que lideram o discurso oposicionista, é o presidente do partido, José Aníbal, que perdeu eleição para senador em São Paulo. Questionado se a ala que defende uma “oposição construtiva” ao futuro governo temeria uma reação dos tucanos paulistas, Alckmin disse “não tem ninguém rancoroso. Os tucanos de São Paulo estão em uma fase “zen”, disse Alckmin. “E o José Aníbal?”, perguntou uma jornalista, mas Alckmin não respondeu. O presidente do PSDB saiu da reunião sem dar entrevista.

Outra diretriz que foi acertada na reunião foi o fato de que não se deve antecipar no partido as discussões sobre as próximas eleições presidenciais em 2006. “Temos que acabar com esta cultura de sair de uma eleição e já começar a seguinte. Isto é ruim para o governo e para população”, disse Alckmin. Tanto o governador de SP, quanto Perillo, afirmaram que o encontro de hoje foi informal e não decisório. Além do presidente, dos governadores e da direção do partido, estiveram presentes o ex-presidenciável senador José Serra, o ex-governador do Ceará Tasso Jereissati, e os líderes tucanos no Senado, Geraldo Melo (RN), e na Câmara, Juthay Magalhães (BA). (Correio Web/FolhaNews)