A Universidade Estadual de Maringá (UEM) será sede do IV Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná. O lançamento oficial do evento foi realizado, esta semana, com a presença de representes da Funai de Londrina e Guarapuava, Evelize Viveiros Machado e Edith Ribeiro Sales, e do presidente da Associação dos Estudantes Universitários Indígenas, Alvaci de Jesus Ribeiro Salles. A solenidade reuniu, ainda, representantes das demais universidades estaduais e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que pela primeira vez abriu vagas para estudantes indígenas.

O vice-reitor da UEM, Angelo Priori, destacou que a instituição ajuda na construção desse vestibular desde sua primeira edição. De lá para cá, vem se preparando para aperfeiçoar o trabalho, o que o faz com muita seriedade e responsabilidade, ciente das especificidades que o cercam.

Colocando-se a favor de cotas raciais e sociais nas universidades, Priori enfatiza que o Vestibular dos Povos Indígenas é também um importante mecanismo de inclusão que deve ser ampliado. Durante a solenidade, ele lançou uma proposta para que as onze faculdades isoladas que compõem a Universidade Estadual do Paraná (Unespar) ofereçam, cada uma, três vagas aumentando a oferta para esse público.

Para este concurso serão oferecidas 18 vagas nas seis universidades estaduais, incluindo a UEM, e cinco na federal. Cimea Bevilaqua, representante da UFPR, explica que, em maio deste ano, o conselho universitário da instituição aprovou um plano de metas que prevê a oferta progressiva de vagas para estudantes indígenas. Segundo ela, serão cinco vagas neste concurso, sete daqui a dois anos e nove daqui a quatro anos. “A proposta foi aprovada dentro de uma discussão mais ampla que inclui, ainda, inclusão racial e social”, pontua.

Não há reserva de vagas, no caso dos estudantes indígenas. Eles concorrem a vagas suplemementares em cursos de graduação, destinadas a este público conforme determina a lei estadual nº 13134/2001 e o termo de convênio nº 502/2004. Os preparativos para o concurso estão à cargo da Comissão Universidade para os Índios (Cuia), instituída pelo governo do Estado, em agosto deste ano. Cada instituição tem três participantes na comissão. A UEM está representada pelas professoras Isabel Cristina Rodrigues, do Departamento de História, e Cláudia do Valle e Maria Aparecida Honório, do Departamento de Letras.

A Cuia foi implantada com a incumbência de discutir, avaliar e propor instrumentos legais do processo seletivo para o vestibular indígena. Mas este não será seu único papel, cabendo, ainda, o acompanhamento pedagógico dos acadêmicos durante o curso, a avaliação do processo de inclusão e permanência dos alunos nas instituições e o desenvolvimento de projetos de ensino, pesquisa e extensão envolvendo os alunos e suas comunidades.

Para Alvaci Salles, a criação da Cuia representa um passo importante na luta para a integração dos acadêmicos, que em muitas instituições ainda sofrem discriminação, inclusive por parte dos docentes. A associação acompanha 38 acadêmicos que hoje cursam cursos de graduação nas universidades paranaenses. Na UEM, estão matriculados seis alunos indígenas. Alvaci, que cursa Administração em Guarapuava, conta que mantém contato constante com todos os alunos assistidos pela associação, que também realiza dois encontros anuais.

As inscrições para o concurso já começaram e prosseguem até 10 de dezembro. Elas estão sendo realizadas nas próprias reservas indígenas. As provas serão aplicadas no período de 18 a 20 de janeiro. O presidente da Comissão Central do Vestibular Unificado da UEM, João Cezar Guirado, explicou que as provas já estão prontas e que o processo de preparação dos exames foi cercado de cuidados de forma a atender as necessidades específicas desse público.