A Bolívia comemora nesta terça um ano da nacionalização do setor de petróleo e gás, ainda sem ter reunido condições para o retorno dos investimentos estrangeiros. Desde o cerco do exército aos campos petrolíferos, em 1º de maio do ano passado, o país enfrentou uma série de conflitos políticos que retardaram a reorganização do setor. Além disso, o ministro de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, ameaçou na semana passada usar novamente o dia 1º de maio para a publicação de um decreto de expropriação das duas unidades da estatal brasileira. A última proposta do presidente Evo Morales prevê o pagamento de US$ 50 milhões, um quarto do valor dos ativos pedido pela Petrobras.

Um ano depois da nacionalização, a situação da Bolívia é difícil. Apesar de as petroleiras terem assinado, sob pressão, 44 novos contratos de exploração e produção de gás, nada indica a volta investimentos, que, segundo o governo, precisam alcançar US$ 3 bilhões para assegurar o fornecimento para o mercado interno e o cumprimento dos contratos com Brasil e Argentina. Não há qualquer garantia de que isso ocorra no curto prazo.

?Na Bolívia, muita gente acha que amanhã vão chegar os investimentos, mas é preciso resolver uma série de pendências?, afirma Yussef Akly, gerente de Coordenação e Estratégia da Câmara Boliviana de Hidrocarbonetos (CBH), entidade que reúne as petroleiras. Ele cita como ponto crucial a expansão da rede de transportes e armazenagem de petróleo e gás, hoje operadas por Transredes e Companhia Logística de Hidrocarbonetos da Bolívia (CLHB). Controladas por companhias privadas, as duas devem passar, aponta a nacionalização, às mãos da YPFB.

A criação de infra-estrutura para escoar a produção é parte do problema. Ao tomar o controle do setor, a YPFB assumiu a responsabilidade de gerenciar toda a estratégia de exploração e produção do setor petrolífero. Com cerca de mil funcionários, a empresa ainda não reuniu condições para isso. Não existe plano de reestruturação da YPFB, sucateada nos anos 90.