As universidades estaduais paranaenses dobraram de 18 para 36 o número de vagas ofertadas para a quinta edição do Vestibular dos Povos Indígenas no Paraná, iniciado nesta terça-feira (7) na Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG.

Pela Lei nº 14995, de 9/1/2006, sancionada pelo governador Roberto Requião, ficam asseguradas seis vagas, como cota social indígena, em todos os processos seletivos para o ingresso como aluno nas universidades estaduais públicas do Paraná, em Ponta Grossa (UEPG), Londrina (UEL), Maringá (UEM), Guarapuava (Unicentro), Cascavel (Unioeste) e Jacarezinho e outros municípios (Unespar). Até o ano passado, quando o concurso foi realizado em Londrina, cada instituição reservava aos índios apenas três vagas.

O Vestibular dos Povos Indígenas no Paraná ainda tem a participação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que oferta cinco vagas dirigidas a índios de todo o território nacional. As vagas ofertadas para as universidades estaduais são disputadas, exclusivamente, por índios com um mínimo de dois anos de residência comprovada em reservas indígenas paranaenses.

O concurso iniciado nesta terça-feira, em Ponta Grossa, conta com 136 inscritos. Desses, 72 concorrem às vagas das universidades estaduais, com uma proporção de dois candidatos por vaga. A UFPR recebeu 64 inscrições, concorrência aproximada de 13 candidatos por vaga.

A informação do aumento de número de vagas foi bem recebida pelos indígenas que iniciaram as provas do concurso vestibular. Jair Mariano Rodrigues, 29 anos, da aldeia da Ilha de Cutinga, em Paranaguá, que presta o vestibular pela segunda vez, acredita que suas chances de ingressar na universidade aumentaram consideravelmente. ?Acho que esta vez eu consigo?, disse o indígena que busca uma vaga no curso de Pedagogia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Paranaguá (Fafipar), integrante do complexo da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), como primeira opção, e em Direito na UFPR, em segunda opção.

A partir desta edição do concurso, os índios farão a escolha da graduação que desejam cursar após serem aprovados. O professor José Carlos Borsato, integrante da Comissão Universidade para os Índios (CUIA), explica que a experiência de anos anteriores mostrou que, em muitos casos, o indígena não estava preparado ou não tinha afinidade com o curso escolhido. ?Agora, eles deverão passar por testes vocacionais, que vão apontar suas aptidões?, diz o professor ao ressaltar que, a cada ano, a comissão encarregada do vestibular vai adquirindo maior experiência no relacionamento com os indígenas. ?Eles têm um comportamento diferenciado, hábitos e costumes que precisam ser respeitados?.

De volta às aldeias

Entre os candidatos ao 5º Vestibular dos Indígenas, a maioria tem como ideal se formar e voltar para a própria aldeia, para buscar a melhoria da qualidade de vida da sua gente. Esse é caso de Erídio Gabriel Soares, 21 anos, da aldeia de Rio D?Areia, localizada no Município de Inácio Martins. Na sua segunda tentativa de ingressar na universidade, ele busca uma vaga no curso de enfermagem.

O jovem indígena acha que poderá dar um tratamento diferenciado aos integrantes da sua comunidade, por conhecer a realidade da aldeia, segundo ele, bastante carente. ?Hoje só os brancos tem domínio dessa parte. Acho que também temos condições de desenvolver essa e outras profissões?, diz Erídio, mostrando que esse é um pensamento reinante entre os índios.

Elisandra de Oliveira, 18 anos, da reserva de Mangueirinha, presta o vestibular pela primeira vez e se mostra muito decidia no que almeja para o seu futuro. ?Quero ser jornalista?, diz ela, carregando no colo a filha de apenas um mês. Para Elisandra, apenas uma pessoa que vive a realidade de uma reserva pode escrever, mostrar e denunciar os problemas e descasos sofridos pelos índios. A jovem mostra também noção das dificuldades que deverá encontrar para se adaptar à rotina de estudos na universidade. ?Acho que terei que me dedicar e superar essas dificuldades?, diz ela, esperando ver também a irmã aprovada no vestibular. ?Em família as coisas podem ficar menos complicadas?.