O presidente do Uruguai, Tabaré Vasquez, fez nesta sexta-feira (19) um duro discurso de crítica ao Mercosul, contrastando com as intervenções comemorativas realizadas antes pelos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Néstor Kirchner. "O Uruguai pede justiça no tratamento no processo de integração", disse.

Vasquez citou o Brasil nas suas críticas, ao dizer que o seu país exportou US$ 5 milhões em autopeças para cá no ano passado, enquanto recebeu o equivalente a US$ 150 milhões em autopeças brasileiras. Referindo-se nominalmente ao presidente Lula e seu discurso de abertura da Cúpula do Mercosul, no hotel Copacabana Palace, no Rio, o presidente uruguaio disse que é verdade que há êxito no bloco, "mas para alguns países menores como o Uruguai o intercâmbio comercial no Mercosul é muito deficitário". E acrescentou: "nossa realidade (do bloco) deve ser contemplada por uma flexibilização que o Uruguai pleiteou em outubro de 2006 em que fizemos um diagnóstico sério dessa situação".

Vasquez citou como exemplo da situação difícil dos pequenos no bloco uma garrafa de água mineral do Uruguai que está sendo consumida na Cúpula. Segundo ele, o Puma, que é a marca do produto, foi extinto pela civilização em seu país e pode ser um símbolo do que acontecerá com os países pequenos no Mercosul. "Temos medo que os nomes dos pequenos países sejam apenas um nome impresso numa etiqueta nessas reuniões de cúpula.

Uruguai e Argentina estão travando uma briga tarifária dentro do Mercosul, que acabou trazendo tensão à Cúpula do Rio. Os presidentes dos dois países não fizeram referência diretamente ao problema em seus discursos.

Paraguai

O presidente do Paraguai, Nicanor Duarte – que assume a partir de hoje a presidência temporária do Mercosul – defendeu, em sua apresentação na reunião entre chefes de Estado no Rio, que o programa de trabalho do grupo já não deveria mais "consumir tempo" com travas que impedem a livre comercialização de mercadorias entre os países. "É importante que todos os países deixem de lado a competitividade e garantam cooperação entre si. Por isso é conveniente entrar em uma outra etapa de discussões".

Para o presidente do Paraguai, a integração energética entre os países é uma das principais estratégias para a união e tem que priorizar a distribuição das riquezas do subsolo de forma a promover o desenvolvimento dos países. "A integração energética é central para o sucesso do bloco", afirmou. A exploração de petróleo e gás não deverá favorecer os países maiores em detrimento dos menores. Quando se produzir excedentes, não se pode pensar em outra coisa que não aplicar os ganhos com este excedente no desenvolvimento do próprio país dono das reservas", disse. Ainda para ele, é "ético" que os países paguem o que for "justo" por estas riquezas "retiradas de seus vizinhos" e que os "tratados entre ambos sejam equânimes.