Trinta anos após a descoberta do rotavírus no Brasil, a vacina contra a doença entrará no Programa Nacional de Imunizações do Governo (PNI). A distribuição gratuita começa nos próximos dias nos postos de saúde. O governo espera, com isso, evitar mais de quatro mil mortes anuais, além de 40 mil internações por causa da doença.

Desenvolvida pela GlaxoSmithKline, a Vacina Oral de Rotavírus Humano (fora do Brasil, Rotarix) será administrada por gotinhas em duas doses, aos dois e aos quatro meses de idade. "Os estudos mostram que essas doses protegem a criança até os dois anos de idade", garante o médico Alexandre Linhares, chefe da seção de virologia do Instituto Evandro Chagas, no Pará, e um dos responsáveis pela detecção do primeiro caso de infecção por rotavírus no Brasil.

A vacina tem eficácia superior a 85% na proteção contra qualquer diarréia por rotavírus e de até 100% contra as formas graves de diarréia por esse mesmo vírus. Ela não só fornece proteção precoce contra as formas mais graves de gastroenterite, mas também estimula a defesa natural do organismo contra a infecção. Outro ponto positivo é que ela pode ser administrada concomitantemente com outras vacinas. Linhares diz que ela não interfere na boa resposta.

VÍTIMAS – Transmitido por via oral por meio de contato com a mão alimentos ou água contaminados, o rotavírus atinge pessoas de todas as idades. No entanto, das 40 mil hospitalizações, pelo menos um terço é de crianças entre seis meses e dois anos de idade. É por isso que os pequenos são os principais beneficiados pela campanha. "Depois dos cinco anos de idade", explica Linhares, "o vírus não causa doenças, ou então só causa uma forma mais leve de gastroenterite".

O médico também estima que quase todas as crianças brasileiras já terão passado por um caso de gastroenterite por rotavírus até completarem cinco anos de idade. Desde os primeiros sintomas da gastroenterite por rotavírus – que incluem diarréia ajuda, vômitos e febre – é importante procurar o serviço de saúde. "Muita gente fica só no soro oral. Ele é importante, mas não adianta quando administrado sozinho", alerta Linhares. "Muitos pais só levam as crianças para o hospital quando elas estão em choque e o quadro é irreversível. Elas acabam morrendo por desidratação", diz.

O médico explica que outros problemas, como subnutrição e infecções concomitantes, também contribuem para o agravamento da gastroenterite por rotavírus. A doença, em um caso como este, pode até matar uma criança em até 24 horas.