O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, decidiu hoje (1)renunciar ao mandato de deputado federal depois de afirmar no plenário da Câmara dos Deputados que recebeu recursos do Partido dos Trabalhadores (PT) não declarados à Justiça Eleitoral. Costa Neto disse que os recursos foram utilizados para quitar dívidas assumidas pelo partido nas eleições de 2002, e afirmou que o PT começou a repassar os recursos ao PL nove meses depois das eleições.

"Esses valores se destinavam especificamente aos compromissos da campanha da aliança PT-PL", disse. O deputado, no entanto, não revelou a quantia que o PL teria recebido do PT.

Costa Neto disse ainda que nenhum dos membros da bancada do PL na Câmara teve participação no repasse irregular de recursos. "Assumo a única e absoluta responsabilidade por esse ato. Isto quer dizer que nenhum membro do PL pode ser responsabilizado pelo que foi decidio ou praticado por mim".

Ele também afirmou que o PT não repassou ao Partido Liberal os documentos necessários para a arrecadação dos recursos – o que segundo ele impediu o partido de declarar os valores também à Receita Federal. "Aguardamos por todo esse tempo pela documentação que oficializasse as doações do PT, mas as circunstâncias, como sabemos, reivindicam o fim de qualquer espera", ressaltou Costa Neto.

O presidente do PL afirmou que os recursos recebidos do PT não foram utilizados para o suposto pagamento de mesadas a parlamentares. Valdemar da Costa Neto foi acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ser um dos supostos distribuidores do mensalão na Câmara dos Deputados. "Posso garantir que os recursos que o PL recebeu do Partido dos Trabalhadores não serviram para pagar mesada a deputados", enfatizou.

O deputado disse que foi "induzido ao erro" pelo PT, e afirmou que não tinha motivos para suspeitar da origem dos recursos repassados pelo partido. "Em nenhum momento poderíamos colocar sob suspeita as ações de um partido aliado, que junto conosco venceu as eleições", disse.

O presidente do PL afirmou que vai retificar as irregularidades à Receita Federal, e se colocou à disposição da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios e do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara para "dar os esclarecimentos que a opinião pública está exigindo".