Rio de Janeiro – O pequeno aumento da taxa de inflação em julho, de 0,19 %, registrado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), não aponta para uma tendência de alta, apesar da deflação de 0,21% ocorrida em junho. A análise é da coordenadora de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos.

Segundo Eulina Nunes, a inflação se mantém com o mesmo comportamento de outros meses, inclusive o do mês passado (junho), dentro de uma conjuntura favorável.

?Na verdade, na série história do IPCA as taxas vêm convergindo cada vez mais para números menores. Em junho, o IPCA chegou a registrar uma deflação relativamente grande. Só que foi pontual, vindo da queda dos preços do álcool, com oferta grande, e o resultado foi negativo. Julho, com o fim da queda do preço do álcool, elevou o resultado para cima ?, explicou a coordenadora.

O IPCA serve de referência para a meta de inflação do governo, que é de 4,5% para este ano. A taxa acumula alta de 1,73% no ano(janeiro/julho) e é menor do que o acumulado em igual período de 2005, que foi de 3,42%. Nos últimos 12 meses, o índice situa-se em 3,97%, também abaixo do resultado de 4,03% referentes aos 12 meses imediatamente anteriores.

O crescimento este mês do IPCA é atribuído a aumentos nos grupos de Transportes, Alimentos e Empregados Domésticos, que incorporaram o aumento do salário mínimo. Em Transportes, a gasolina teve destaque com o aumento médio de 0,81%, após ter registrado queda de 1,60% em junho. O álcool combustível teve alta de 1,04%, de ter contribuição decisiva para a deflação de junho com uma queda de 8,77%. O grupo também teve pressão do aumento das tarifas dos ônibus interestaduais (6,64%) e intermunicipais (3,14%) na região metropolitana do Rio de Janeiro.

No  grupo Alimentação e Bebidas, a pesquisa constatou uma certa estabilidade nos preços em julho, mas o grupo teve um maior peso porque havia registrado queda de 0,61 em junho. A alta do setor foi registrada em frutas (8,14%) e no arroz (4,33%).

Já entre os produtos não alimentícios (de ?0,10% para 0,22%) muitos itens mostraram desaceleração de preços, como gás de cozinha (1,54%/0,44%); vestuário (0,59% para 0,24%), devido a promoções e produtos chineses; energia elétrica (-0,73%), com destaque  pela redução das contras, principalmente em São Paulo (-0,02) e Curitiba (-5,65%). A alta do setor foi registrada em Belém e Recife.

A conta do telefone fixo ficou mais barata, caindo (-0,27%) em todas as regiões pesquisadas a partir de 14 de julho.

Entre as 11 regiões metropolitanas pesquisadas, a maior alta foi registrada em Brasília, no grupo Alimentos (0,87%). Salvador foi a única  região a apresentar deflação.

?O relevante é que não tem nenhum viés. Poderíamos ter resultados diferentes se estivéssemos trabalhando com outra pesquisa, mas ao longo do tempo não existe nenhuma pendência, nenhum resultado que nós possamos observar com relevância?, afirmou a pesquisadora.

O IPCA de julho é o primeiro a ser calculado com a nova metodologia do IBGE que incorpora dados atualizados dos gastos de consumo da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2002-2003.

Passaram a ser pesquisados novos itens como gás veicular, acesso a internet e multas de trânsito. Outros tiveram importância reduzida nos cálculos, como jornal diário, passagens aéreas e o álcool. Ganharam mais importância a compra de aparelhos telefônicos, microcomputador e os serviços de telefonia.

O órgão também divulgou hoje o Índice nacional  de Preços ao Consumidor (INPC), que apresentou variação de 0,11% em julho, maior do que a junho, que foi de – 0,07%. No acumulado do ano, o INPC ficou em 1,18%, sendo menor do que em igual período do ano passado (3,31%).

Nos últimos 12 meses, a taxa ficou acima dos 2,79% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores. Em julho de 2005, a taxa foi de 0,03%.