Em meio a uma das mais graves crises financeiras de sua história, com a redução de sua participação no mercado e dívidas sendo cobradas judicialmente, a Vasp passou a contar desde a quinta-feira com uma frente parlamentar de apoio no Congresso Nacional. O primeiro desafio do grupo de 82 deputados federais e 18 senadores – a maioria paulistas – segundo seu coordenador, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), é obter um diagnóstico de dívidas e créditos da companhia aérea. Para colher os dados, foram escalados assessores técnicos da Câmara, pagos com o orçamento da instituição legislativa. Uma outra frente parlamentar já havia sido criada para dar suporte político para a tambem combalida Varig.

"A direção da Vasp concordou em abrir todos os seus números e, assim, nos ajudar a entender a sua real situação", afirmou Izar. Embora a Vasp detenha hoje cerca de 2% do mercado da aviação comercial, o deputado rejeita a idéia de que a empresa não tenha mais "salvação". Ele sustenta que, apesar da inadimplência com vários credores públicos e privados, a empresa teria créditos a receber e isso poderia sanear suas contas.

A exemplo da Varig e da TAM, a Vasp move várias ações judiciais pedindo ressarcimento de perdas dos planos econômicos da década de 80, além de créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que teriam sido recolhidos a mais a governos estaduais. "Dependendo de quais sejam esses valores, a empresa é recuperável", afirmou.

Dinheiro

Nas últimas semanas, entretanto, as cobranças sobre a Vasp se intensificaram. Hoje, a assessoria da estatal confirmou que a companhia cumpriu a exigência de pagar à vista, em dinheiro ou cheque administrativo, nos aeroportos, as tarifas aeroportuárias para poder voar. A nova regra foi fixada pelo órgão federal depois que a empresa deu dois cheques sem fundo – de R$ 40 mil cada – no final de novembro.

Além disso, um quarto pedido de falência da Vasp, feito pela CBS Indústria e Comércio Importação e Exportação, foi apresentado à justiça. A Infraero, que administra os aeroportos brasileiros, é credora de uma dívida de R$ 11,8 milhões em taxas de embarque recolhidas dos passageiros e não repassadas, decidiu ir à Justiça para receber o dinheiro.

A intenção do grupo parlamentar, segundo Izar, é ter pronto o quadro geral de dívidas e créditos da empresa aérea até a próxima quarta-feira. É nesse dia que os parlamentares esperam ser recebidos pelo vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, para pressionar por uma solução para as companhias aéreas. Nos últimos dias, o vice-presidente dedicou boa parte de sua agenda para conversar com representantes do setor aéreo.

O outro grupo de parlamentares, formado em sua maioria por deputados e senadores gaúchos, defende a reestruturação da Varig e já apresentou uma proposta ao governo. Para ganhar fôlego nas negociações com a Infraero, a Varig pagou à vista esta semana R$ 19 milhões como parte de uma dívida de R$ 148 milhões em tarifas aeroportuárias.