Muitas vezes ouvimos colegas professores se queixarem que não podem trabalhar muitos assuntos que despertam o interesse de seus alunos porque têm conteúdos para vencer. Suas aulas estão plenamente comprometidas com assuntos pré-definidos e enrijecidos, que temos a todo custo de ?vencer?. Como se os conteúdos fossem inimigos a derrotar…

Estranho comportamento, já que esses conteúdos não foram parar nos currículos por força própria ou autodeterminação: fomos nós mesmos, professores, que os selecionamos e os colocamos lá, saturando todo o tempo disponível e dificultando a inserção de novos e mais significativos temas.

Na escola de hoje é complicado trabalhar de forma eficaz com todo o espectro de nossos alunos. O que fazemos com aqueles que não estão acompanhando o ritmo dos demais? Recuperação, reforço, reprovação… Sabemos que não são respostas suficientes. E com aqueles que querem saber mais, que podem avançar mais depressa? No máximo podemos indicar algumas leituras (?me procure depois da aula?), isto quando não nos saímos com o clássico ?esta questão não faz parte de nossa aula, você está fugindo do assunto?. Ou pior ainda: ?Não se preocupe, isso não vai cair na prova?.

Uma das possibilidades mais interessantes do uso de mídias interativas na educação é permitir aos alunos o acesso aos conteúdos no seu próprio ritmo e conforme seus interesses e entendimento. Os que querem saber mais podem ?mergulhar? na informação, seguir links, navegar e explorar o mundo de dados e informações encontráveis no ciberespaço. Os que têm dificuldades podem refazer suas leituras e exercícios, acessar novas informações e obter outros estímulos que os auxiliem a superar as barreiras que encontraram.

Com o apoio de recursos tecnológicos bem planejados e construídos, podemos trabalhar com todos os nossos alunos.

Um sonho de educadores? Quem sabe, mas temos de considerar que nossas formas tradicionais, voltadas para obter um desempenho médio, não atendem a todo o universo de nossos alunos. É claro que todos merecem igual atenção e cuidado, sejam os que têm dificuldades em seguir o ritmo geral ou aqueles que poderiam ir mais adiante.

?Vencer conteúdos? não pode ser o objetivo da prática docente. Temos de buscar formas mais participativas de ensinar e aprender.

O conceito de interatividade é de grande importância para a compreensão das potencialidades das novas mídias digitais e para o planejamento do uso desses meios nos diversos contextos educacionais. Interação implica na ocorrência de trocas comunicativas contínuas e significativas. Estamos falando em aprendizagem solidária, que demanda uma pedagogia centrada no aluno, na investigação, na descoberta e no compartilhamento de informações, idéias e experiências.

Por isso podemos afirmar que os meios digitais e interativos – desde que utilizados em sintonia com propostas educacionais inovadoras – podem nos auxiliar imensamente na concretização de formas pedagógicas que permitam a emergência de talentos, o desenvolvimento das potencialidades humanas e o aproveitamento das capacidades de todos os alunos.

Antonio Simão Neto (simao@interfacesonline.com.br) é do Instituto Interfaces.