Brasília – No depoimento à CPI dos Bingos, o economista Paulo de Tarso Venceslau acusa o atual dirigente do Sebrae, Paulo Okamoto, de ser o "bate-pau" de dirigentes do PT, no esquema de arrecadação de verbas para o caixa 2. Venceslau diz que usa esse termo ao se referir a "pau-mandado", "que executa qualquer tarefa", sem querer saber se é licita ou não. Segundo o depoente, embora não tivesse nenhum cargo na direção do PT, Okamoto pedia aos prefeitos petistas a relação de fornecedores da Prefeitura, supostamente para pedir dinheiro para o partido.

Quando o então presidente do partido, Luiz Inácio Lula da Silva foi questionado pela comissão de sindicância do próprio partido sobre as ações de Okamoto, Lula limitou-se a reconhecer que Okamoto ajudava muito na campanha mas que sua colaboração era muito mais logística. "Ele vende adesivo. É o gerente da gráfica", teria alegado Lula, segundo relato de Venceslau. Sobre o fato de Okamoto procurar empresas fornecedoras das prefeituras Lula teria dito que não sabia do fato, mas que acredita que devido às suas relações de amizade, Paulo Okamoto indicava pessoas que podiam ajudar na campanha. "Ou seja, ele (Lula) dizia que o Paulo Okamoto vendia adesivo, canetinha. Era não querer ver ou fingir que não vê", afirmou Venceslau. O economista disse também que foi processado por Lula, José Dirceu Paulo Okamoto, e Paulo Frateschi, mas que foi vencedor em todas as ações, que não chegaram a ser concluídas, porque caducaram.