O jornal italiano La Repubblica traz hoje reportagem sobre o futuro da Telecom Italia, na qual afirma que o tempo de venda da TIM (Telecom Italia Mobile) já teria passado e que a alienação dos ativos brasileiros estaria congelada. De acordo com o diário o conselho da operadora se reunirá na próxima semana, dia 25, no primeiro encontro desde que Guido Rossi assumiu o lugar do presidente Marco Tronchetti Provera. O texto não cita nome de fonte ou porta-voz da Telecom Italia.

A reunião teria sido convocada para discutir a situação do grupo e a estratégia operacional a ser adotada, após a crise iniciada por Provera e que causou sua saída. O executivo surpreendeu ao anunciar em setembro a pretensão de cindir a atividade celular, cerca de um ano depois de ter concluído a integração societária fixo-móvel. O anúncio desse projeto foi encarado como um plano para vender a operação celular do grupo, o que desagradou o governo e levou até mesmo a um posicionamento público contrário do primeiro ministro daquele país, Romano Prodi. Provera argumentava que seu objetivo com tal medida seria focar a Telecom Italia no fornecimento de banda larga e conteúdo, com a convergência entre mídia e telefonia.

Desde então, o tema não foi mais tratado publicamente. No Brasil o mercado dava como certa que a operação aqui seria vendida, como alternativa para a matriz levantar recursos e melhorar sua situação financeira, sem desagradar o governo local com a alienação da operação italiana. No entanto, tal intenção nunca foi oficialmente assumida pela companhia.

De acordo com o La Repubblica, a TIM Brasil seria um ativo de grande importância e com boas perspectivas de crescimento, na visão do grupo – discurso que retoma o antigo posicionamento da empresa ante rumores sobre a venda da companhia brasileira que já circularam anteriormente.

O novo projeto da Telecom Italia, segundo o jornal local, seria a cisão da rede capilar em uma outra companhia, com conselho de administração independente. A Comissão do Senado italiano estaria de acordo com essa perspectiva, pois a operadora tem um poder de mercado superior ao detido pelas demais companhias européias de telecomunicações em seus países de origem. A operadora tem 90% do serviço telefônico fixo e 70% do acesso de banda larga na Itália.