Rio – O setor de refrigerantes deverá crescer 2 6% este ano, praticamente metade da expansão prevista no início de 2005, e alcançar 12,3 bilhões de litros. A projeção foi divulgada hoje (23) pela Associação Brasileira da Indústria de Refrigerantes (Abir). Apesar do fraco resultado, a entidade aposta que o crescimento mais forte será retomado no ano que vem.

"As vendas este ano acompanharam o fenômeno da economia, que perdeu fôlego no terceiro trimestre", disse Hoche Pucherio, presidente da Abir. Ele lembra que no começo deste ano as projeções de crescimento para 2005 eram bem superiores, entre 4% e 5%, na comparação com o ano anterior. Depois de ter andado de lado durante alguns anos, a produção de refrigerantes havia crescido 5,5% em 2004.

As projeções da Abir indicam crescimento de 3% a 4% no consumo neste verão, em relação ao verão passado. Para 2006, a entidade acredita que o setor poderá voltar a crescer 5%. A expectativa, superior à média de mercado, é de que o Produto Interno Bruto (PIB) poderá crescer ao redor de 4,5%. Pucherio explica que a redução dos juros e o ano eleitoral vão estimular a economia.

Além disso, o representante do setor acredita que haverá uma recuperação da massa salarial e maior disponibilidade de renda dos consumidores. Isso porque os Índices Gerais de Preços (IGPs), que orientam reajustes de algumas tarifas e de aluguéis, têm estado "deprimidos" e exercerão menor pressão nos reajustes para o ano que vem.

Tubaínas

Os dados deste ano mostram também que a participação de mercado das marcas chamadas tubaínas permanece num nível menor que o histórico. Depois de chegar perto de 33%, a fatia de mercado destas marcas caiu para perto de 26% no ano passado. Estes produtos são bem mais baratos que os das principais empresas. São feitos por pequenas firmas, mas favorecidos em parte, conforme acusação das grandes companhias, por práticas ilegais, como a sonegação.

No ano passado, explica Pucherio, teria havido uma espécie de migração de consumo de marcas mais baratas para produtos de marcas mais conhecidas. Ele cita, ainda, que houve maior fiscalização da Receita Federal.