Brasília – As vendas da indústria cresceram 3,84% em novembro na comparação com outubro, interrompendo uma série de quatro meses de queda. A informação foi divulgada hoje (17) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Embora a venda tenha crescido, outros indicadores, como pessoal empregado, horas trabalhadas e salários reais tiveram queda. Também caiu a utilização da capacidade instalada, que passou de 81% em outubro para 80,8% em novembro.

Apesar dos dados negativos, a entidade concorda com a avaliação do Ministério da Fazenda de que haverá recuperação da atividade econômica ao longo do primeiro trimestre deste ano, puxada pela sucessão de cortes nas taxas de juros iniciada em setembro. O chefe da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, classifica esse movimento como uma "acomodação" do setor produtivo ao novo ambiente de juros.

Ele acredita, também, que o Comitê de Política Monetária (Copom) tem espaço para seguir cortando a taxa na reunião de amanhã porque a utilização da capacidade instalada da indústria caiu. Esse dado indica que há espaço para aumentar a produção e, dessa forma, conter movimentos inflacionários. "Isso mostra que não há restrição à oferta e que o Banco Central não precisa se preocupar com as pressões inflacionárias e pode cortar juros", comentou.

Como a maioria dos analistas de mercado, o economista da CNI aposta que o Copom cortará os juros em 0,75 ponto porcentual o que significa a manutenção do mesmo ritmo de queda visto no final do ano passado. Em 2006, o Copom terá menos reuniões (8 em vez de 12) e por isso precisará fazer cortes maiores para manter o ritmo iniciado em 2005. A próxima reunião do comitê só ocorrerá dentro de 44 dias.

"As vendas (em novembro) não surpreenderam, pois em outubro houve queda e era razoável que se vendesse em novembro o que estava acumulado", disse Castelo Branco, acrescentando que as vendas apenas retomaram o nível em que estavam em meados do segundo trimestre. De janeiro a novembro, as vendas acumularam 2 14% de alta em 2005.

As vendas fracas em outubro fizeram com que as indústrias virassem o mês com estoque elevado. Por isso, a produção em novembro caiu, apesar do crescimento nas vendas registrado naquele mês. A reação das vendas foi uma oportunidade para desovar estoques, mas não foi um movimento forte o suficiente para puxar a produção. Por isso, as horas trabalhadas na produção caíram 1,04% no mês. No ano, porém, elas ainda acumulam alta de 4,84%.

A pesquisa da CNI mostra ainda que o número de empregados da indústria caiu 0,36%, refletindo a queda no Produto Interno Bruto (PIB) de julho a setembro. A CNI explicou que há um tempo para que o comportamento do emprego espelhe as condições da economia. No período acumulado até novembro, no entanto, o indicador apresenta alta de 4,47%. Os salários líquidos caíram 0,09% em novembro contra outubro, o que foi considerado pela CNI uma estabilidade. No ano, o comportamento ainda é positivo: 8,20%.