Rio – As vendas de móveis e eletrodomésticos voltaram a crescer com mais vigor e asseguraram um aumento de 0,26% nas vendas do comércio varejista em novembro ante outubro. Apesar do pequeno aumento, analistas econômicos e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) avaliam que há estagnação do setor, que registrou expansão de 4,87% ante novembro de 2004. No ano até novembro, houve crescimento acumulado de 4,82%.

Para Nilo Lopes, técnico da coordenação de comércio do IBGE, os dados do varejo em novembro mostram que "o comércio está caminhando dentro de uma certa estabilidade". Na avaliação dos economistas do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que preparou documento sobre a pesquisa, "estamos prestes a completar um semestre em que o comércio varejista não vai bem".

Para o IDV, "há estagnação" nas vendas do setor. Camila Saito, da Tendências Consultoria, também faz esse diagnóstico e disse que o comércio está estagnado. "Tal resultado reforça as indicações de que o comércio vem apresentando resultados relativamente decepcionantes nos últimos meses", disse.

Lopes acredita que uma aceleração maior das vendas do setor depende, no momento, de menor limitação do crédito da parte dos tomadores. Ele avalia que os consumidores já se endividaram bastante e, agora, precisam quitar as dívidas antes de acessar o crédito novamente. "O crédito continua sendo um fator importante para o comércio e uma aceleração vai depender da capacidade de endividamento das famílias", disse.

O técnico do IBGE exemplifica que a decisão de parte dos consumidores de "limpar o nome" nos últimos meses já levou a uma reação das vendas de móveis e eletrodomésticos, que cresceram 3 56% em novembro ante outubro e garantiram o pequeno aumento das vendas do setor nessa base de comparação.

Camila, da Tendências, também vê no crédito um dos principais impulsos para o comércio e destacou a reação dos bens duráveis, como eletrodomésticos,revelada pela pesquisada. Para ela, essa recuperação é resultado da retomada de confiança do consumidor e ainda, da melhoria nos índices de inadimplência, com reabilitações de crédito.

Lopes avalia que o resultado ante mês anterior do comércio em geral mostrou uma melhoria em relação aos dados dos últimos meses, após quedas em agosto e setembro e estabilidade (0,09%) em outubro ante setembro. "Mas o crescimento não é significativo para ser comemorado", disse.

Alimentos

Prova que há pouco para comemorar está nos dados de hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, o segmento de maior peso na pesquisa e que registrou queda de 0 52% nas vendas em novembro ante outubro. Lopes atribui o recuo ao fator calendário e a um "ruído" na massa salarial.

Segundo ele, o mês de outubro apresentou um final de semana a mais do que o mês seguinte e o ajuste sazonal (que ocorre na série ante mês anterior e elimina as influências específicas de determinado período) não consegue eliminar totalmente o efeito forte que esses dias a menos tiveram sobre os supermercados em novembro.

Além disso, ele avalia que esse recuo é também "resultado de provável ruído na massa de salários em função da piora nos últimos meses nos indicadores de rendimento médio real". Apesar do mau desempenho ante outubro, esse segmento cresceu 2,4% ante novembro do ano passado e acumulou no ano até novembro aumento de 3,25% nas vendas.