O presidente boliviano, Evo Morales, anunciou nesta terça-feira (24) que seu colega venezuelano, Hugo Chávez, desistiu de obter uma vaga não permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e indicou a Bolívia como candidata de consenso. Após 35 votações, nem Venezuela e nem Guatemala conseguiram os dois terços de votos válidos necessários para garantir a cadeira. "Somos candidatos ao conselho", declarou Evo. "Tomara que consigamos consenso. Nossos embaixadores estarão mobilizados para isso.

Evo afirmou ter recebido de Chávez, por telefone, a informação da desistência da Venezuela em favor da Bolívia. Os EUA haviam se empenhado em garantir o apoio à Guatemala, transformando a disputa na ONU numa queda-de-braço entre Chávez e Washington. Não há garantias, no entanto, de que os demais países do grupo latino-americano da ONU aceitarão a Bolívia como candidata alternativa.

Pouco antes, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, havia imposto três condições para que seu país retirasse a candidatura: a renúncia também da Guatemala, o fim da "chantagem grosseira dos EUA a outros governos do mundo" e a abertura de um processo transparente de negociações para definir o futuro ocupante da cadeira.

Em Brasília, antes do anúncio de Evo, o ministro de Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, defendeu um acordo para evitar que a disputa entre Guatemala e Venezuela provocasse "desgastes" no grupo latino-americano.