Recife, 10 (AE) – Coleta de sangue de voluntários para testes de bioequivalência de medicamentos – para avaliar se um medicamento genérico tem a mesma eficiência do medicamento registrado – estaria sendo feito em um prédio inapropriado, sem condições de higiene e sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no bairro de Tejipió, no Recife. O prédio é da Pharmalink Indústria Comércio e Representações Ltda.

A Vigilância Sanitária de Pernambuco recolheu material no local ontem – pedaços de algodão com sangue, pequenos tubos para acondicionamento de sangue e listas com nomes de pessoas com endereço, número de identidade, peso, altura, grau de escolaridade. Parte do material havia sido incinerado diante da iminente chegada dos agentes da vigilância sanitária, que esperaram cerca de meia hora para entrar.

“O prédio está em reforma, havia poeira, não tinha pia, o lixo era mal acondicionado, seringas estavam misturadas a lixo comum”, afirmou o diretor da Vigilância Sanitária, Jaime Brito

A Pharmalink está cadastrada na Secretaria Estadual da Fazenda, mas não se encontra em atividade. Era indústria de medicamentos até 1999 e no ano passado pediu licença para importar medicamentos, mas não renovou a licença. Pertence a Antonio José Alves, ex-diretor do Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) no governo Miguel Arraes (PSB).

Em um relatório enviado hoje a Brito e à Anvisa, Alves justificou ter lançado um edital pelo Centro de Equivalência da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde ensina no Departamento de Farmácia, para contratação de auxiliar de enfermagem para fazer testes de coleta de sangue. As fichas apreendidas seriam das pessoas que apresentaram currículo e o material encontrado seria para os candidatos fazerem testes de habilidade na coleta de sangue.

A Vigilância Sanitária chegou à Pharmalink a partir de uma denúncia anônima de que estariam comercializando sangue no local. Jaime Brito descartou evidências de tal comércio – proibido por lei. Ele afirmou que a Anvisa acompanhará o caso, já que cabe ao órgão autorizar a realização de testes de bioequivalência e em locais apropriados – laboratórios ou hospitais que atendam a uma série de requisitos.

Os voluntários para tais testes têm direito a ajuda de custo para alimentação e transporte.