O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse há pouco, em discurso da tribuna, que vai pedir “uma junta médica” para examinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso ele venha efetivamente a editar uma medida provisória criando as Parcerias Público Privadas (PPP). O projeto está em tramitação no Senado, ainda depende de negociação entre governo e oposição.

“Se ele acha que vai colocar o Senado de joelhos, está muito enganado”, afirmou Virgílio, no discurso, em que atacou o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que hoje (1) disse que o PSDB não tem moral para criticar o projeto das PPPs. Segundo Virgílio, antes das PPPs, é preciso estabelecer marcos regulatórios claros “para estimular e dar segurança aos investidores”. “Se não se fizer isso, as PPPs podem virar letra morta”, advertiu.

Em aparte, o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) fez coro às críticas de Virgílio a José Dirceu, afirmando que o ministro está equivocado nessa discussão, uma vez que o PSDB tem sustentado que as chamadas PPPs não devem ficar reduzidas a uma única fonte de financiamento, que é o BNDES, pois isso poderia vir a ser a transferência de recursos públicos para o setor privado. Guerra chamou atenção para o fato de que, até o momento outros atores, além dos políticos, não se posicionaram sobre a proposta, tais como instituições multilaterais e empresários estratégicos. Ele disse que, como as PPPs devem envolver projetos de longo prazo, não podem ser feitas num clima de irresponsabilidade, deixando desprotegidos os interesses do País. “Não é uma área do ministro José Dirceu”, acentuou Guerra, ao que Virgílio completou: “A dele (de Dirceu) é da fofoca”.

O senador Heráclito Fortes (PFL-PI), também em aparte, disse que seu partido não dará “um tiro no escuro”, aprovando o projeto das PPPs sem uma longa discussão. “Vamos aprovar um projeto de que o Brasil precisa, e não o que alguns querem”, afirmou.