Foto: Arquivo/O Estado

 Raymundo: sintomas violentos nos animais não são comuns.

O vírus da febre aftosa, que atacou bovinos na região sul do Mato Grosso do Sul, pode ter saído de um laboratório. A hipótese foi levantada pelo médico veterinário homeopata, Raymundo Araújo Filho, especialista em controle de zo- onoses. Segundo ele, o que chama atenção é o fato de a febre ter ocorrido em animais vacinados. ?Ou se desconfia de todas as vacinas, o que é pouco provável, ou há possibilidade de o vírus ter sido preparado em laboratório?, afirmou o médico veterinário. Segundo ele, ?já estamos vivendo uma guerra bacteriológica?, e nenhuma hipótese pode ser descartada.

Araújo Filho conta que já trabalhou na região onde surgiram, recentemente, os focos de febre aftosa. Segundo ele, seus colegas de profissão que ainda lá atuam revelaram que os sintomas da febre aftosa dessa vez estão potencializados. ?A virulência está extremamente alta. Eles contam que a pele da língua dos animais chega praticamente a cair?, revela o médico veterinário. ?São informações precisas de gente que está trabalhando no local do foco e que diz nunca ter visto nada parecido.? Outro fato que causa estranheza, segundo o veterinário, é o fato do vírus (tipo O) não ter atingido suínos, apenas bovinos, o que é incomum. ?Apesar disso, temos que continuar agindo como se fosse algo amplo. Nenhuma conduta internacional pode ser negligenciada?, alertou.

Sobre a possibilidade de o vírus ter sido fabricado em laboratório, Araújo Filho afirmou que ?estamos vivendo no meio de uma guerra comercial.? ?O Brasil ficou dependente do mercado externo e sofre hoje os ataques comerciais?, disse, acrescentando que o objetivo de outros mercados seria o de interromper o processo de exportação brasileira. ?É uma hipótese que não pode ser descartada. Ainda mais pela estranheza dos sintomas.?

Ineficiência

Para o médico veterinário, a principal causa do surgimento do foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul seria a ineficiência tanto do governo estadual (do MS) como do governo federal. ?O ministro (da Agricultura) Roberto Rodrigues é o responsável em primeiro escalão pela sua ineficiência nesta questão. Não há como ele culpar este ou aquele Ministro. Todos são partícipes?, afirmou. Para este ano, o ministério da Agricultura teria orçamento de R$ 165 milhões para a defesa sanitária. Este valor, porém, teria caído para R$ 37 milhões e depois aumentado para R$ 95 milhões. ?Até agora, foram gastos R$ 50 milhões, sendo que a metade disso foi para a compra de veículos, viagens, estadias em hotéis?, disse.

O médico veterinário afirmou ainda que, no início do ano, surgiu um foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, mas o governador José Orcílio, o Zeca do PT, teria ?abafado? o caso. ?Houve uma ordem para que não fosse divulgado o soro positivo. Houve uma irresponsabilidade administrativa?, denunciou. O médico veterinário defendeu ainda um maior controle na área de fronteira com o Paraguai, inclusive com ação militar. ?Há um trânsito na fronteira seca, que além do tráfico de drogas e contrabando, inclui ainda o trânsito de animais.? E lamentou: ?O Brasil demorou vinte anos para construir uma boa imagem e em 24 horas foi ao chão.?

Serviço – O médico veterinário Raymundo Araújo Filho se coloca à disposição para maiores dúvidas através do e-mail naturavet@yahoo.com.br