A Ferropar, empresa responsável pela operacionalização e manutenção da Ferroeste – ferrovia entre Guarapuava e Cascavel – realiza uma manutenção deficiente nos 248 quilômetros do trecho. A constatação é do diretor-técnico da Ferroeste, Leopoldo Campos.

Em inspeção técnica-operacional, realizada entre 27 e 28 de julho, o engenheiro observou diversos problemas de conservação ao longo da ferrovia, além de máquinas abandonadas no terminal de Guarapuava e da continuação dos problemas ambientais no terminal de cargas de Cascavel, que já chegaram a interditar o local em abril deste ano.

?São inspeções realizadas mensalmente, que resultam em relatórios que são encaminhados a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)?, explicou. ?Observamos a continuidade de uma situação alarmante. A manutenção da ferrovia está muito precária, pouco está sendo investido. A situação de toda a estrutura está muito aquém do que seria necessário para um perfeito escoamento da produção do Oeste até o Porto de Paranaguá?, destacou Leopoldo Campos.

Problemas

Na vistoria, foram verificados vários pontos onde a vegetação cresce desordenadamente ao longo da ferrovia, dificultando a visão do maquinista e colocando em risco a viagem.

?Este mato também impede o escoamento natural das águas das chuvas. Inicia-se aí um processo de acúmulo e infiltração de água que pode danificar a estrutura da ferrovia e prejudicar a continuidade dos serviços?, detalha o diretor-técnico da Ferroeste.

Também foram diagnosticados locais com acúmulos de pedras e de sedimentos durante o percurso. Segundo Campos, as pedras que se encontram próximas aos trilhos criam situações de perigo às viagens e devem ser retiradas imediatamente para evitar acidentes e até descarrilamento de trens.

O diretor pôde observar ainda um número insuficiente de funcionários nos serviços rotineiros de conservação da ferrovia. A empresa deveria ter pelo menos 25 homens trabalhando exclusivamente na manutenção diária do trecho. ?Hoje, a Ferropar mantém somente 18 funcionários para as tarefas. É um quantitativo insuficiente para uma manutenção adequada e responsável da linha?, completa.

Canibalismo

Outro aspecto observado durante o levantamento foi a substituição dos dormentes de concreto por dormentes de madeira. No local, onde houve um descarrilamento há mais de 6 meses, a Ferropar trocou os dormentes emergencialmente para dar condição de tráfego na vida.

?Contudo, já se passou tempo suficiente para que a empresa providenciasse a troca definitiva por dormentes de concreto?, analisa Leopoldo Campos.

O relatório da ANTT aponta que, devido a um descarrilamento ocorrido em 2004, os dormentes de concreto danificados foram substituídos por dormentes de madeira retirados da linha de cruzamento, ?evidenciando canibalismo da via permanente?.

Segundo a agência, a substituição de dormentes pode ser observada também no ramal de calcário da empresa. No local, os técnicos da agência verificaram a falta de diversos componentes metálicos e até dormentes especiais. ?Provavelmente este material está sendo usado para a reposição de componentes danificados na linha principal da Ferropar?, aponta o estudo.

Medidas

Segundo o diretor administrativo, financeiro e jurídico da Ferroeste, Samuel Gomes, as constatações feitas por Leopoldo Campos são aspectos que reforçam e exigem a retomada imediata do controle da ferrovia pela Ferroeste para evitar a acelerada deterioração física da linha.

Samuel lembra que os levantamentos feitos pela Ferroeste são parecidos com os resultados da inspeção técnico-operacional realizada pela ANTT, em abril deste ano.

?A ANTT já havia diagnosticado que a manutenção da via permanente é deficiente, com risco para a segurança do tráfego e para a continuidade do serviço.?, recorda Gomes.

A Agência reguladora concluiu em seu relatório que a má conservação da via permanente é grave e coloca em risco a continuidade do serviço e a segurança do tráfego, com risco de prejuízos os usuários e seus clientes, para a segurança de pessoas, para a vida e para o meio ambiente.