A Volkswagen do Brasil solicitou uma audiência com o governador Roberto Requião para apresentação do plano de reestruturação da montadora que deverá envolver todas as plantas industriais que a empresa mantém no País. O pedido foi feito por Elisabeth Carvalhaes, representante da Volkswagen para Assuntos Governamentais, durante reunião do Conselho de Política Automotiva, do governo do Estado, realizada nesta segunda-feira (15).

Carvalhaes não quis antecipar detalhes do plano de reestruturação da montadora, argumentando que a estratégia da empresa já foi apresentada ao governo federal e, agora, será apresentado oficialmente aos governos do Paraná e de São Paulo, estados que contam com unidades industriais da montadora.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka, descartou a possibilidade de fechamento da fábrica no Paraná, instalada em São José dos Pinhais, a 25 quilômetro de Curitiba. Segundo ele, a unidade é moderna, com elevada tecnologia e a montadora não iria se desfazer desse patrimônio. Ele acredita que a reestruturação da montadora deve se restringir a demissões de trabalhadores.

A reunião foi convocada pelo presidente do Conselho de Política Automotiva do Governo do Estado, Mário Lobo, para discutir a reestruturação da Volkswagen e suas implicações no Paraná e também os acidentes do trabalho nas montadoras. Estiveram presentes os 22 representantes do órgão entre sindicalistas, montadoras e do governo estadual.

Mário Lobo lembrou que o governo do Estado está muito preocupado com o plano de reestruturação que pode ser adotado pela montadora no Paraná e lembrou que o governador ainda não tem nenhuma informação oficial sobre a estratégia da Volkswagen no Paraná. Lobo lembrou que a intenção do governo do Estado é proteger a economia do Estado e dos trabalhadores.

A montadora se instalou no Paraná no início de 1999, atraída por incentivos fiscais. Segundo Lobo, se o plano de reestruturação for prejudicial ao Estado, o governo do Paraná pode rever os incentivos concedidos. ?Isso não significa que vai acontecer e nem é essa a intenção do governo?, ressaltou.

Segundo a representante da montadora, a crise por que passa a empresa foi provocada pela ?derrocada do câmbio?, que está forçando a revisão de todo o planejamento adotado no passado. Carvalhaes disse que todos os investimentos da montadora foram feitos dentro de uma realidade de câmbio que permitia as exportações. E a montadora, principalmente no Paraná, estava voltada para atender o mercado externo.