Brasília ? A votação do relatório parcial de movimentação financeira da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios foi adiada para a próxima quinta-feira (1). Ainda não foi fechado um acordo sobre o texto, o que levou à reclamação do presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS). "O problema é que demoraram demais para conversar. Um relatório com essa importância, com essa abordagem. Tem que correr, fazer a lição de casa antes. Não pode ficar discutindo texto na véspera de reunião. Foi uma falha operacional. Agora, temos que gastar mais tempo, que já poderia ter sido utilizado para analisar o texto", afirmou.

O sub-relator para Movimentações Financeiras, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), disse que está sendo discutido o que não está no relatório. Um exemplo é a inclusão do nome do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que admitiu à CPI ter recebido dinheiro, não contabilizado, de Marcos Valério para campanha para o governo de Minas Gerais em 1998. No entanto, o senador afirmou que não sabia e que a responsabilidade era de seu tesoureiro na época Cláudio Mourão.

Fruet sugeriu colocar no relatório um capítulo intitulado "Investigações em Curso" e colocar todos os fatos apresentados por tesoureiros de campanha e o que está sendo investigado pela comissão. "Não estamos investigando o caixa dois no relatório parcial e na CPI. Mas, como esse tema também veio à tona e para acabar com essa idéia de que está tentando preservar A ou B, sugeri incluir nesse capítulo todas as questões referentes ao Cláudio Mourão, com relação a Minas, incluir os dados do Duda Mendonça e do Delúbio, que fazem referência à campanha no Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Pará", observou. O deputado lembrou que a CPI está tratando de tráfico de influência, lavagem de dinheiro, crime contra o sistema financeiro e crime contra a ordem tributária.

Também será incluído no relatório, segundo o deputado Fruet, a informação de que a conta no exterior do publicitário Duda Mendonça está sendo investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, e o que o Ministério da Justiça já recebeu informações que ainda não foram repassadas para CPI. De acordo com ele, entrará no relatório o fato das corretoras Bônus-Banval e Guaranhuns estarem sendo investigadas.

Na próxima quinta-feira também será votado relatório parcial da sub-relatoria de contratos. Fruet também propôs acabar com a realização de relatórios parciais. "Para evitar discussão com relação ao que não consta, a idéia que propus é que, a partir da votação desses dois relatórios parciais, acabar com a divulgação e o trabalho de relatório parcial. Porque ao invés de discutir o que está no relatório, está se discutindo o que não está no relatório. E nós estamos perdendo a oportunidade de trabalhar na simulação dos empréstimos".