Os eleitores espanhóis, incluindo os que residem no estrangeiro, votam hoje nas eleições parlamentares a fim de escolher o novo primeiro-ministro. Os dois agrupamentos mais fortes são o Partido Socialista Obrero Espanhol (PSOE), liderado pelo candidato à reeleição, José Luis Rodrigues Zapatero, e o Partido Popular (PP), cujo candidato é Mariano Rajoy.

A Espanha atravessa atualmente uma crise cujos reflexos negativos sobre os índices de produção industrial e desemprego crescente se espalham com rapidez para outros segmentos da economia, tais como os serviços e a construção civil.

De acordo com as estimativas mais otimistas em curso no mercado, a Espanha deverá crescer esse ano menos de 2%, confirmando a expectativa do próprio governo presidido pelo premiê José Luis Zapatero, cuja previsão de crescimento do PIB é de apenas 2,1%, em relação ao ano passado.

Uma das regiões mais atingidas pela crise econômica é a Andaluzia, onde se concentram inúmeros bolsões de pobreza, muito embora a presença predominante na região de expressivos redutos de eleitores socialistas. A curta distância de 20 quilômetros que separa a Espanha do Marrocos, situado na outra margem do Estreito de Gibraltar, facilita o deslocamento de operários que procuram ocupação no país africano.

O governo marroquino investe na construção de um porto de contêineres para desbancar a preferência de Algeciras, cidade espanhola situada na entrada de Gibraltar.

Por esse motivo, a campanha do neoliberal Mariano Rajoy concentrou seus esforços na Andaluzia, visando diminuir ou até anular a reduzida vantagem de 4 pontos percentuais que as últimas pesquisas davam a Zapatero, com razão considerada pelos observadores como empate técnico.

Pormenor interessante da eleição de hoje na Espanha e países com forte presença de cidadãos de nacionalidade espanhola foi registrado em Buenos Aires, onde vive a maior parte da comunidade de 260 mil espanhóis residentes na Argentina. A capital federal foi coberta por cartazes, faixas e out-doors de Zapatero ou do PSOE, além das bandeiras do país. Com a presença maciça de espanhóis vivendo na capital argentina, o PSOE recrudesceu a campanha em Buenos Aires a fim de confirmar o favoritismo de seu candidato.

Vai dar certo?