Um retrovisor quebrado fez com que todos os envolvidos fossem parar na delegacia no começo da noite desta quinta-feira (18). Tudo isso porque um dos veículos envolvidos no acidente era de policiais, que causaram tumulto.

O acidente aconteceu por volta das 19h, na Avenida Visconde de Guarapuava. A viatura descaracterizada estava estacionada em frente ao prédio do Instituto Médico-Legal (IML), quando o motorista de um ônibus da linha Canal Belém passou e raspou no retrovisor, que quebrou.

Sem perceber o que havia acontecido, segundo o motorista, ele continuou viagem. Os três policiais, que estavam na viatura, seguiram o ônibus até a Avenida Marechal Floriano Peixoto e lá pararam o veículo.

Segundo quem estava no ônibus, os policiais foram agressivos com o motorista e chegaram até a puxar a arma. Outros comentários eram de que o motorista teria sido agredido, mas a informação não foi confirmada. Houve confusão e o simples acidente acabou indo para o 1º Distrito Policial (DP).

Investigação na Corregedoria

O Departamento da Polícia Civil (DPC) informou, através de nota, que além do Termo Circunstanciado (TC) que tramita no 1º DP envolvendo um motorista de ônibus e dois policias civis, também foi instaurado pela Corregedoria Geral da Polícia Civil (CGPC) um procedimento interno administrativo para apurar eventual irregularidade na abordagem ao ônibus. Os policiais afirmam que em momento algum agrediram o motorista. Na manhã desta sexta-feira, os servidores foram ouvidos na Corregedoria.

Sindicato afirma agressão

O sindicato que representa os motoristas e cobradores, Sindimoc, divulgou nota, publicada no site da Gazeta do Povo, afirmando que o motorista foi agredido a tapas e empurrões por um dos policiais civis envolvidos na confusão. O sindicato acrescentou que os agentes sacaram as armas ao falar com o motorista.

Segundo o Sindimoc, o motorista se trancou dentro do ônibus, com receio de as agressões continuarem. Ele aguardou até a chegada do apoio do sindicato e, com assistência jurídica, foi até a delegacia para registrar boletim de ocorrência. Lá, segundo o sindicato, o motorista sofreu nova tentativa de agressão por parte dos policiais.

“Nós estamos estudando as medidas cabíveis para dar o devido apoio ao motorista. O que temos aqui é um típico caso de abuso de poder, já que os policiais à paisana invadiram a canaleta impedindo a circulação do ônibus, sacaram as armas e agrediram o motorista sem necessidade alguma”, afirmou, na nota, Jadson Lopes, advogado do Sindimoc responsável pelo caso. Uma audiência no Juizado Especial Criminal, marcada para abril, irá avaliar o ocorrido, segundo o sindicato.

Foto: Colaboração/Sindimoc.