O projeto de policiamento comunitário realizado pelas Unidades Paraná Seguro (UPS) passa agora para segunda fase. Além de policiamento permanente, os bairros onde estão instaladas as unidades receberão serviços públicos voltados à cidadania.

Nesta sexta-feira (24), no Palácio Iguaçu, em Curitiba, o governador em exercício Flávio Arns assinou o termo que institui o Programa de Ações Integradas de Desenvolvimento e Cidadania.

“As forças de segurança foram importantes num primeiro momento e continuarão fazendo seu excelente trabalho. Mas, agora, é hora de combatermos a violência com o acesso à cidadania”, disse Arns.

O programa, antes mesmo de ser oficializado, teve início em unidades mais antigas, como a do bairro Uberaba, em Curitiba, e agora será ampliado. O termo assinado também define prazos e ações específicas.

O comitê gestor do programa foi oficializado sob a coordenação da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos e é composto por um representante de cada secretaria e órgão envolvido.

“Podemos classificar esta como a segunda etapa do projeto, que não é só de polícia, mas de revitalização de espaços comunitários com acesso à cidadania. A ideia é que o projeto se expanda para todas as UPS no Paraná”, explicou o secretário da Segurança Pública, Cid Vasques.

Ações integradas

Em parceria com órgãos da administração federal, estadual, municipal e sociedade civil, serão executadas ações integradas e políticas públicas que contribuam para melhorar a segurança pública e o desenvolvimento socioeconômico das áreas das UPS.

O governo realizou um estudo técnico nas comunidades do Uberaba e Tatuquara. Os principais problemas constatados foram crianças fora da escola no contraturno, alto índice de gravidez na adolescência, saneamento básico precário, falta de iluminação pública, consumo de álcool e drogas por grande parte da população, falta de documentos e ocupações irregulares.

“Queremos que as UPSs transcendam a segurança pública, com ações intersetoriais onde cada um se engajará em sua responsabilidade. É uma mobilização para um movimento de paz”, ressaltou a secretária estadual da Justiça, Maria Tereza Uille Gomes. As ações serão realizadas com feiras de serviços, mobilizações de cidadania e ações continuadas.

“Teremos, consequentemente, a redução da criminalidade, pois vamos melhorar a qualidade de vida daquele morador”, ressaltou o coordenador do projeto UPS na Polícia Militar, tenente-coronel Heraldo Régis da Silva. Para ele, as ações vão valorizar ainda mais o projeto de polícia comunitária, que tem aproximado a relação entre polícia e morador.

No Paraná estão instaladas 13 Unidades Paraná Seguro: dez em Curitiba e as demais em Colombo, Cascavel e Londrina. As feiras de serviço, por exemplo, serão realizadas cada mês em uma unidade, atendendo Curitiba, região metropolitana e interior.

A feira piloto foi instalada em março no Uberaba, que recebeu a primeira UPS. Há duas semanas, no Tatuquara, foram feitos cerca de 7 mil atendimento em 33 serviços disponíveis.

A ação teve a participação de vários parceiros, como Prefeitura, Exército e Federação das Indústrias do Estado do Paraná, além de órgãos estaduais e municipais.

Resultados

O trabalho de levar serviços e políticas públicas às áreas de UPS já foi iniciado. Na educação, o principal trabalho é a ofe,rta de contraturno escolar, para tirar crianças e jovens das ruas e oferecer-lhes capacitações e formação.

25 escolas que ficam no entorno das regiões de UPS (tanto na capital como em Cascavel e Londrina) foram identificadas e estão oferecendo contraturno escolar para cerca de 3 mil crianças e jovens.

Em Curitiba, foi criado também o Centro de Atividades Pedagógicas Vila da Cidadania (CAPVC), no bairro Uberaba, onde 122 alunos da comunidade têm atividades especiais voltadas à formação pessoal e profissional das crianças. A meta é chegar a 1.370 alunos.

Ressocialização

Arns formalizou a cooperação entre a Secretaria da Justiça, Departamento de Execução Penal (Depen) e a Secretaria da Educação, para utilização da mão de obra de apenados. Com isso, presos do regime semiaberto da Colônia Penal Agroindustrial, em Piraquara, prestarão serviços e terão a pena reduzida.

“É um trabalho de ressocialização onde todos ganham”, ressaltou Arns. Inicialmente eles trabalharão em reforma em escolas, creches e outras unidades públicas nos bairros das UPSs. Posteriormente, serão estudados outros trabalhos que poderão executar.