Aliocha Maurício
Bicheiro foi morto a
tiros há cinco anos.

Preso há três anos e cinco meses, no Centro de Observação Criminológica (COT), sob acusação de assassinar o bicheiro Almir José Hladkyi Solarewicz, Otaviano Sérgio Carvalho Macedo, o "Serginho", 48 anos, implora para sentar no banco dos réus. Segundo ele, seu julgamento já foi adiado quatro vezes, sendo que o último estava previsto para o último dia 19 de setembro. "Queria que me explicassem por que motivo. O que está acontecendo? Só sei que estão me deixando aqui. Não entendo, acho que estão levando dinheiro. Quem está pagando para eu ficar aqui?", indaga "Serginho", que pela primeira vez procurou a imprensa para falar sobre o caso.

Ele acredita que há pessoas interessadas em mantê-lo preso, sem que ele vá a julgamento. "Deve ter alguém porque isso é inadmissível. É uma coisa que não tem explicação", salientou. "Estão me deixando aqui e eu quero mostrar que sou inocente. Estão fazendo uma tortura psicológica comigo."

O detento ainda reclama que o seu advogado não aparece para consultá-lo, nem para informar do andamento do processo. "O meu advogado, Edson Stadler, eu não vejo há um ano. Ele não vem perguntar se estou precisando de alguma coisa e nem saber se eu quero adiar o julgamento. Até atestado médico já juntou para prorrogar a minha ida ao Tribunal do Júri. Ele está empurrando com a barriga", reclama "Serginho". E afirma: "tem gente pagando em dinheiro para eu ficar aqui", sem citar o nome de quem seriam os interessados em mantê-lo preso.

"Serginho" argumenta que não há provas suficientes no processo no qual ele é acusado de envolvimento no assassinato do bicheiro Almir Solarewicz.

Testemunhas

 "Gostaria que tivessem testemunhas de acusação, que olhassem nos meus olhos e dissessem: "foi você quem matou. Eu vi’. Mas não têm". O detento diz que não quer que a Justiça decrete sua liberdade provisória, mas que o corpo de jurados do Tribunal do Júri vejam se há provas, o escutem e dêem o veredicto. "Mas não deixam eu mostrar que sou inocente. Enquanto existir um "laranja?, as pessoas de fora estão batendo palmas".

Almir Solarewicz foi assassinado no dia 20 de setembro de 2000, em frente ao prédio onde morava, no Juvevê. As investigações iniciais apontaram que três homens participaram da execução, mas "Serginho" foi o único identificado e preso pelos policiais da Delegacia de Homicídios, na época comandados pelo delegado Fauze Salmen. "Serginho" teve a prisão temporária decretada e foi preso no início do mês de outubro do mesmo ano, mas como era período eleitoral teve que ser colocado em liberdade e fugiu para a cidade de Orlando, nos Estados Unidos, onde ficou durante um ano e oito meses. Quando retornou, foi apanhado novamente.

"Eu saí da prisão temporária e fui para Porto Alegre, na casa de uma tia. Lá me disseram que eu tinha que fugir porque eu estava sendo ameaçado pela Ivana (mulher da vítima). Disseram que ela estava pagando uma fortuna pela minha cabeça. Desesperado fui morar nos Estados Unidos", argumentou. Logo que voltou foi preso pelo Grupo Águia da Polícia Militar e, desde então, está recolhido no COT. "Eu vim para me apresentar porque não devo nada", afirma.

?Serginho? usa filhas e futebol como álibi

Na sua versão sobre o assassinato, Otaviano Sérgio Carvalho Macedo "Serginho" diz que no dia em que Almir foi morto ele tinha ido pegar suas duas filhas na escola. À noite ele iria jogar futebol em Santa Felicidade, com seu irmão, como fazia todas as quartas-feiras. Como o irmão não apareceu, ele ficou em casa com as crianças. "Por volta das 23h15, tocou o telefone. Era o doutor Antônio Pellizetti (advogado), que é meu ex-sogro e ex-cunhado. Não entendi o porquê daquela situação. Ele falou: "Sérgio mataram o Amir?. O detento diz que conhecia a vítima há 16 anos, porque seu ex-sogro advogava para o bicheiro. Foi até o escritório de Pellizetti saber o que estava acontecendo. Dias depois, foi à DH conversar com o delegado Fauze Salmen e recebeu voz de prisão. "Eu disse: doutor eu não matei. Ele respondeu: "eu sei’. Mesmo assim, me prendeu", reclamou o acusado.

Dois anos após o assassinato, o inquérito apontava que Almir tinha sido morto a mando de controladores do jogo do bicho. Outras duas pessoas teriam participado da execução (inclusive um ex-policial militar). O inquérito foi enviado à 5.ª Vara Criminal de Curitiba, mas não resultou em mais prisões, apesar de o próprio TJ ter indícios de que o crime organizado está por trás da morte do bicheiro.