O bárbaro crime que vitimou Luana dos Santos Gonçalves, de apenas 16 anos, cujo corpo foi encontrado em 10 de março, boiando numa lagoa da zona rural de Campo Largo, foi praticado pelo padrasto dela, o motorista Sandro Luiz Bueno, 28, e pelo cunhado dele, Vilson Cezar Plombom, 20, que trabalha como montador de estruturas metálicas.

Ela levou um tiro na cabeça, foi embrulhada em um lençol e numa rede, amarrada com um arame a um bloco de concreto, e depois jogada na água. O motivo do homicídio seriam os constantes furtos que a menina praticava na casa da mãe e de Sandro, em razão de sua dependência das drogas.

Os dois foram presos na sexta-feira e confessaram o crime. No entanto, ao serem apresentados na tarde de ontem, na Delegacia de Campo Largo, um atribuiu ao outro a autoria do disparo.

Segundo o delegado Wilciomar Voltaire Garcia, a polícia chegou aos nomes dos suspeitos e pediu a prisão preventiva deles à Justiça.

Assim que foi decretada, eles foram capturados em suas residências. O palco do crime, segundo o delegado, foi a casa de Vilson, na Moradias Caiuá, Cidade Industrial de Curitiba (CIC).

Ira

Sandro, que mora na mesma região, ficou enfurecido após o furto de um televisor, no dia anterior ao crime, e decidiu ir atrás de Luana para acertar contas. Três meses antes a garota tinha saído de casa e passou a viver nas ruas.

No dia do crime, Luana ligou para a mãe e disse que queria R$ 100 para fugir de um bandido que a estava ameaçando. Sabendo que ela estava por perto, Vilson e Sandro saíram à procura dela. Conseguiram encontrá-la à noite e levaram-na para a casa de Vilson.

“Um indício de que o crime foi premeditado é que Vilson levou a mulher dele para a residência de Sandro com o objetivo de que sua casa ficasse vazia e eles pudessem preparar o local”, contou o delegado.

Após aparentemente terem torturado a adolescente e atirarem na cabeça dela, os dois enrolaram o corpo numa rede e num cobertor e o colocaram no banco de trás do veículo Ipanema branco, AFU-3846, de Sandro.

Por volta das 4h, os dois foram até a Colônia Dom Pedro, em Campo Largo, e antes da desova, amarraram um bloco de concreto pego no quintal da casa para que o corpo afundasse, o que não adiantou. Na tarde do mesmo dia, colonos encontraram o “embrulho” às margens do lago.

Os dois retornaram e limparam a casa de Vilson, lavando também as manchas de sangue do carro. Mas de nada adiantou. Quando o veículo foi encaminhado à perícia, durante a investigação, as manchas de sangue foram detectadas, incriminando-os. Por enquanto não há provas de que a mãe de Luana estivesse envolvida no crime.

Versões

Na delegacia, o padrasto negou que tenha atirado na enteada. Disse que saiu para comprar cigarro num posto de combustíveis e, quando voltou, Luana já estava morta na sala.

Assegurou ainda que foi a menina quem lhe procurou para dizer onde estavam os objetos furtados. Vilson, por sua vez, afirma que o cunhado foi quem executou o crime. “A história que ele conta é minha. O cigarro fui eu que comprei e posso provar porque paguei com o cartão de crédito do meu pai”, afirmou Vilson.

Sobre a arma utilizada – um revólver calibre 38 – Vilson disse que pegou emprestada de um conhecido. “Sandro me pediu a arma. Depois do crime, o revólver desapareceu da minha casa junto com um alto- falante”, garantiu o montador. Ambos vão responder por homicídio e ocultação de cadáver.