Faltando alguns minutos para o início da reconstituição da chacina do Sítio Cercado, o advogado dos dois policiais militares, suspeitos do crime, informou à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que seus clientes não iriam participar do evento. Quatro peritos já estavam em frente à residência, na Rua Jardim Alegre, Vila Osternack, onde quatro pessoas foram executadas com tiros na cabeça, quando descobriram que os PMs não viriam.

Colheram alguns dados no local para comparar a altura dos assassinos que aparecem nas filmagens com a dos policiais apontados como autores e foram embora em seguida, sem entrar na residência. Nenhum policial da DHPP esteve no local.

O advogado Cláudio Dalledone Jr., que defende os policiais Alisson Lima e Michel Diel, ambos do 13.º Batalhão, argumentou que os PMs tinham direito de não produzir provas contra si mesmos. Alegou que os dois estavam em outro local no dia do crime e que a DHPP e a Criminalística teriam de fazer essa reconstituição também.

Jaqueline Silva, 33, que estava grávida de 8 meses, Jonathan Veloso, 29, (que seria o alvo dos assassinos), Kauane Farias, 16, e Ailton Farias, 14, foram executados a tiros de madrugada. Uma garota de 6 anos foi poupada. Segundo a Polícia Civil, o crime foi motivado por disputa de tráfico na região e teve a participação dos policiais, que supostamente seriam milicianos.

Inquilinos

A residência onde a chacina aconteceu já tem novos moradores há 12 dias. “Eu não tenho superstição. Não me importei em me mudar para cá. Só não quis saber detalhes das mortes nem ver imagens. Para mim, essa história é passado”, disse Marisa Bopp, que veio de Santa Catarina e alugou a casa para morar com os filhos. Ela cresceu no Sítio Cercado e conhecia o dono da moradia. “Várias pessoas vieram atrás dele para alugar, mas disse que nunca mais pega estranhos como inquilinos”, comentou a diarista.

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