Dois agentes penitenciários foram presos acusados de tramar a rebelião da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara, ocorrida nos dias 14 e 15 de janeiro. O motim resultou na morte de sete detentos, a última delas confirmada ontem pela polícia.

O chefe de segurança da unidade, Celso Tadeu do Nascimento, e o subchefe, Carlos Carvalho da Silva, tiveram seus mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça e cumpridos na manhã de ontem.

De acordo com investigações do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), os dois agentes misturaram presos de facções rivais nas mesmas galerias, o que teria incitado a rebelião. Cerca de 20 presos, considerados desafetos, foram remanejados para as galerias 8 e 10, por volta das 17h do dia 14.

Decapitado

“Essa situação foi agravada porque um dos presos remanejados Daniel Pereira da Silva -ainda foi escolhido para fazer a distribuição da refeição, o que foi considerado afronta para os presos que já estavam na galeria”, afirmou o delegado Francisco Caricati.

Três horas depois, começou a rebelião e Daniel foi decapitado. O delegado lembrou ainda que os presos dispunham de armas e teriam avisado aos agentes que haveria mortes caso misturassem presos de facções rivais.

Além dos agentes, nove detentos, suspeitos de participação na rebelião e nas mortes, tiveram mandados de prisão decretados. Todos irão responder por homicídio qualificado, lesões corporais graves e gravíssimas e dano ao patrimônio com violência à pessoa, além de suas penas.

Mortos

Na rebelião, morreram dentro da PCE: Alexandre Carlos Simões, 21 anos, Orlando Quartarolli, 24, Michel Pasa, 31, Daniel Pereira da Silva, 33, e Fernando Damásio. Carlos Alexandre Caetano, 29, morreu dias depois, no Hospital do Trabalhador. A última vítima foi José Carlos Ramos, 35, que morreu no Complexo Médico Penal.

Justiça endossa resultado

O promotor de justiça da 10.ª Vara Criminal, Pedro Carvalho Santos Assinger, afirmou que concedeu parecer favorável às prisões, baseado em indícios fortes de que a rebelião foi tramada e articulada pelo chefe e subchefe da segurança do presídio.

“Era claro que a atitude deles resultaria em danos, como confronto e mortes”, disse o promotor. Segundo a polícia, o que reforça essa ideia é que os mortos e os feridos haviam acabado de ser transferidos.

Logo que a rebelião foi deflagrada, os agentes penitenciários criticaram a decisão de retirar 20 policiais militares que trabalhavam na segurança interna da PCE. O vice-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), José Roberto das Neves, afirmou que foi essa remoção que facilitou a rebelião.

Transferido escapa do CT II

Um dos presos transferidos para o Centro de Triagem II, em Piraquara, por conta da rebelião na PCE, escapou com outro preso. A delegacia de Piraquara prendeu dez funcionários do CT II, por facilitar a fuga. O foragido removido por envolvimento no motim estava jurado de morte.

De acordo com a polícia, as fugas e as prisões ocorreram no domingo passado. A perícia constatou que os cadeados não foram estourados, nem celas foram danificadas para que os detentos fugissem, indicando que houve facilitação. O secretário da Segurança, Luiz Fernando Delazari, informou que os funcionários serão demitidos.