Duas jovens amigas, unidas pelo vício das drogas, foram brutalmente assassinadas, provavelmente durante a madrugada de ontem, no Pilarzinho. Uma das vítimas, identificada apenas como Aniela, 27 anos, foi encontrada na manhã de ontem, num carreiro que beira um matagal e liga a Rua Manoel Antônio Becker à Avenida Fredolin Wolf, no Jardim Kosmos.

Ela foi morta com facadas no pescoço e existe a suspeita que o assassino tenha tentado violentá-la. Aniela estava sem blusa e vestia apenas uma calça colada ao corpo com estampa de onça, um sutiã e uma corrente grossa no pescoço.

Uma blusa cor vinho de veludo e um casaco marrom, que supostamente lhe pertenciam, estavam caídos no mato próximo ao cadáver e levavam até um beco, onde a polícia encontrou uma bolsa marrom.

À tarde, por volta das 16h30, moradores da região encontraram o corpo de outra garota, também no mato, a cerca de 500 metros do local onde estava o cadáver de Aniela.

A jovem foi identificada extraoficialmente como Lorena, e, segundo populares, ambas eram muito amigas. Morta com pedradas na cabeça, Lorena vestia calça jeans e um casaco escuro.

Vizinhos contaram que ambas eram usuárias de drogas e foram vistas juntas na noite anterior. Por conta disso, a polícia suspeita que Aniela e Lorena foram mortas pelas mesmas pessoas e que o duplo homicídio estaria ligado às drogas, possivelmente uma dívida com traficantes.

No entanto, a Delegacia de Homicídios, responsável pelas investigações, aguarda a identificação oficial das jovens para confirmar qualquer informação. Até a noite de ontem não havia aparecido ninguém no Instituto Médico Legal, para reclamar os corpos.

Um belo futuro perdido para o crack

Bem-nascida, filha de mãe polonesa naturalizada inglesa, a jovem Aniela, 27 anos, tinha tudo para ser bem-sucedida na vida e cuidar de seu filho de 10 anos, se não caísse na armadilha do crack, a mais devastadora das drogas.

Na manhã de ontem, a jovem morena de cabelos longos pretos, quase raquítica por conta do vício, foi encontrada morta com facadas no pescoço, num carreiro frequentado por usuários de droga que beira um matagal perto de onde morava.

O 3.º sargento Sérgio Ribas, do 12.º Batalhão da Polícia Militar, contou que, por volta de 7h, moradores da região saíram de casa rumo ao trabalho quando encontraram a jovem, descalça, vestida apenas com uma calça colada ao corpo com estampa de onça, um sutiã e uma corrente no pescoço.

Próximo dali estava uma bolsa marrom. Dentro havia apenas um vidro de esmalte e uma cartela de analgésico. Vizinhos contaram que a jovem era bastante vaidosa e, por isso, foi apelidada de “Magrela” e “Modelo”, por conta de sua beleza.

Quando a polícia chegou ao local, três cachorros velavam a dona, deitados ao lado dela. Como nenhum documento foi encontrado, a jovem foi identificada por uma vizinha, que é bióloga e preferiu não se identificar. Ela contou que Aniela costumava andar, principalmente à noite, com alguns viciados.

Na noite de terça-feira, por volta de 23h, a mulher disse que a viu na frente de casa. “Ontem à noite, fui até a casa dela levar comida para os cães, porque ela não tinha muita paciência com os bichos”, contou. De madrugada, por volta de 3h, outra vizinha contou que ouviu latidos de cachorro, mas não escutou nenhum pedido de socorro.

Vizinhos ainda contam que Aniela sempre teve como se sustentar, mas a medida que o crack foi tomando conta de sua vida, ela passou a vender objetos de valor de casa para pagar dívidas de droga, o que pode ter motivado o crime. É possível também que o assassino tentou violentar a vítima, por isso ela estaria sem blusa e as roupas jogadas no mato.

Tristeza

A bióloga lamentou o triste fim de Aniela, que nasceu na Inglaterra e que, além de portugu&,ecirc;s, falava outros dois idiomas polonês e inglês. Filha única, a jovem veio para  o Brasil ainda pequena e morava com a mãe, Bárbara, numa casa na Rua Walter Soares Fernandes, bem perto de onde foi morta.

Sem condições de cuidar  do filho, o menino está sob os cuidados de uma tia-avó de Aniela. A mãe dela, conforme a vizinha, dava aula de inglês e morou em vários países, tendo trabalhado em consulado na África do Sul. O pai mora na Austrália. Há cerca de quatro meses, a mãe foi para Londres cuidar da avó da garota que faleceu um mês atrás. Aniela ia junto para Londres, mas decidiu ficar.

“Em pouco tempo, Bárbara perdeu a mãe e a filha”, disse a mulher, olhando chocada para o corpo da moça. Policiais da Delegacia de Homicídios estiveram no local e passam a investigar a autoria e motivo do crime.