Foi solto, na noite da última sexta-feira, com autorização da Justiça, o policial civil Délcio Razera, preso desde o dia 5 de setembro por grampear ilegalmente diversos telefones. Segundo informações do Ministério Público, os alvos seriam políticos, empresários e até inimigos pessoais dos envolvidos no esquema. Na ocasião, foram apreendidas diversas fitas gravadas ilegalmente. Razera estava prestando depoimento à Justiça de Campo Largo, mas os interrogatórios foram suspensos devido ao recesso do Judiciário.

Desde que o policial foi preso por promotores e policiais do Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Gerco), ligado à Promotoria de Investigação Criminal (PIC), o advogado de Razera, Luiz Fernando Comegnio, fez vários pedidos de habeas corpus, mas todos haviam sido negados pela Justiça. Às vésperas do Natal, veio a ordem judicial para que ele fosse solto. Quando foi detido, Razera estava trabalhando na Casa Civil do governo do Estado e se apresentava como assessor do governador Roberto Requião.

Além da escuta ilegal, Razera também responde inquérito por posse ilegal de armas. O procedimento corre na 5.ª Vara Criminal de Curitiba e, segundo Comegnio, eles teriam conseguido comprovar a origem lícita das armas, que são de coleção ou destinadas à prática de tiro.

Razera também teve que comparecer, no período em que ficou preso, à Assembléia Legislativa, que instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os grampos telefônicos. Num dos depoimentos, Razera disse que foi pressionado para que acusasse o governador de ser mandante de grampos ilegais. ?Eu não tenho nada com isso, nem o governador. A minha prisão foi usada de forma direta na campanha?, disse na época. No entanto, o ano legislativo chegou ao fim e o relatório da CPI nem chegou a ser votado ou discutido.

No documento, o relator, deputado Jocelito Canto (PTB), sugeriu que as investigações prossigam na próxima legislatura, já que o trabalho foi prejudicado pela falta de tempo.