Prestes a completar seis meses, o brutal assassinato da advogada Kátia Regina Leite Ferraz, 45 anos, executada com cinco tiros de pistola na cabeça, quando saía de sua casa, no Boa Vista, não foi esclarecido.

O inquérito, a cargo da Delegacia de Homicídios, ainda aguarda laudos da Polícia Científica. De acordo com o delegado Eduardo, há um suspeito de ser o mandante do crime, praticado por dois homens em uma motocicleta vermelha.

Kátia era acirrada defensora dos direitos da mulher. Advogada há mais de 20 anos, comandou por uma década o setor jurídico do Conselho da Condição Feminina, atuou como secretária-geral da Ordem dos Advogados do Brasil – Paraná (OAB-PR) e, um mês antes de ser morta, havia sido aprovada em concurso para trabalhar na ParanáPrevidência. 

O suspeito de encomendar sua execução é ex-marido de uma amiga e também cliente, para quem Kátia havia conseguido na Justiça benefícios que o “ex” não queria pagar.

Ameaça

Dois dias antes de sua morte, Kátia foi ameaçada por telefone, pelo empresário Vanderson Benedito Correa, dono de uma empresa de eventos e ex-marido de Rosana de Mello Figueiredo, com quem trava batalha judicial para separação e também pela guarda da filha do casal, de 7 anos. Kátia comentou com uma amiga o teor do telefonema feito por Vanderson, mas não tomou nenhuma providência.

Na manhã de 24 de fevereiro, ela saída de casa em seu carro, quando surgiram dois homens em uma motocicleta. O garupa desceu empunhando uma pistola e atirou cinco vezes na cabeça da advogada. A polícia tem realizado investigações na tentativa de identificar os autores do crime, para poder indiciar o mandante.

Violento

Vanderson tem histórico de violência e ameaças. De acordo com levantamento feito pela reportagem, a separação exigida pela ex-mulher foi justamente pelos espancamentos que sofria e pelas ameaças de morte, feitas sempre com uma pistola na mão.

Rosana registrou oito queixas contra ele na Delegacia da Mulher e em distritos policiais, até que conseguiu, através de Kátia, que o Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher estabelecesse, em caráter de urgência, que ele mantivesse a distância mínima de 200 metros dela.

Também o obrigou a pagar pensão alimentícia para a filha e “pró-labore” para Rosana, que é sócia na empresa e não pode mais trabalhar devido às ameaças e espancamentos do ex-marido.

O agressor, no entanto, não parou de fazer escândalos e ameaças na porta da casa de Rosana, até que foi preso em flagrante. Pagou fiança de R$ 1.500 e continuou atormentando a ex.

Por fim, teve prisão preventiva decretada e permaneceu um mês na cadeia. Ele também ameaçou várias vezes a empregada do casal, os amigos e amigas da ex-mulher, e, principalmente, a advogada.

Reforço

A Ordem dos Advogados do Brasil, sessão Paraná, pediu à Polícia Civil e ao Ministério Público a designação de um delegado e de um promotor para atuar em caráter especial neste caso, porém não foi atendida.

“Precisamos dar uma resposta principalmente às mulheres, que tinham na advogada Kátia uma aliada. Um crime brutal como este não pode ficar sem esclarecimento e sem punição para os autores”, comentou o criminalista Dálio Zippin Filho, da área de Direitos Humanos da OAB-PR.