Parar em semáforos no Prado Velho pode
ser um prato cheio para os marginais.

A morte de um universitário em um ponto de venda de drogas na favela da Vila Torres, na terça-feira passada, reacendeu as discussões sobre a insegurança na área próxima à Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), no Prado Velho, em Curitiba. Estudantes e pessoas que passam pelo local diariamente têm medo de ficar parados nos semáforos ou esperando nos pontos de ônibus.

O dono da banca de jornal em frente à universidade, Marcos Gomes Lima, conta que a região está muito perigosa. De acordo com ele, quem deixa o carro estacionado na Rua Imaculada Conceição pode ter o veículo roubado. Lima não acredita que sejam pessoas da favela que cometem esses crimes. “Muitos deles vêm de fora e também não podemos generalizar”, comenta. Ele conhece um estudante da PUC que prefere pegar um ônibus na direção do centro e dar uma volta enorme até chegar em casa do que esperar por um que vai direto no ponto atrás da universidade.

A estudante de fonoaudiologia Fabrícia Lima Cardoso explica que os assaltos acontecem principalmente à noite. “Durante o dia é mais tranqüilo, pela claridade e número de pessoas. Mas à noite, eu sinto muito medo. Eu já vi um adolescente puxar a bolsa de uma mulher aqui”, conta. Ela comenta que sai da universidade muito tarde e volta para casa de táxi. “E fico sempre atenta”, aponta Fabrícia.

O soldado Araújo, do posto da Polícia Militar ao lado da PUC, indica que há somente duas viaturas para atender cinco bairros e a área da favela. De acordo com ele, os assaltos ocorrem principalmente no início da noite, entre 18h e 19h, quando o movimento de carros é grande. “Os congestionamentos também são formados pela quantidade de semáforos na região. Nesse horário, os assaltantes praticamente escolhem os carros”, conta.

As orientações da polícia são: evitar transitar a pé durante a noite, ficar com um grupo grande de pessoas, evitar deixar objetos de valor no interior dos veículos e, se parar no semáforo, situar o carro na pista do meio. O soldado explica que o motorista deve ter cuidados no final da Rua Brasílio Itiberê, na Rua Imaculada Conceição, na Avenida das Torres e na Rua Guabirotuba, que passa no meio da favela.