A crueldade de alguns assassinos deixou até mesmo policiais experientes chocados, na madrugada de ontem. O casal Yuri Cristian Feringer Soares, 24 anos, e Ana Júlia Aragão Cardoso Feringer, 23, e a filha do casal, Jullyane Rosa Cardoso Feringer, de apenas seis meses de vida, foram executados a tiros dentro da casa onde foram morar recentemente, na Rua Três de Abril, invasão Portelinha, Jardim Arvoredo, bairro Capela Velha, em Araucária.

O fato ocorreu pouco antes da meia-noite de sábado. Como já era tarde e os vizinhos mais próximos estavam recolhidos em suas casas, não houve testemunhas.

Os assassinos arrombaram a porta da casa de madeira e não deram chances às vítimas. Yuri levou tiros nas costas e na cabeça e morreu na sala. Ana Julia estava no quarto e foi atingida por dois tiros na cabeça e, provavelmente um destes disparos também acertou Jullyane, que estava no colo da mãe.

Maranhenses

Quando os assassinos foram embora e tudo ficou em silêncio, um dos vizinhos se encorajou e foi verificar o que tinha ocorrido. Entrou na casa e se assustou com o cenário chocante. Tirou o bebê do colo da mãe, já morta, e correu para rua na tentativa de salvá-lo.

Por sorte encontrou uma viatura da Guarda Municipal, que transportou o bebê ao hospital Niss III, no município. Mas Jullyane já chegou morta ao pronto-socorro.Os moradores da rua disseram que não conheciam a família, que havia se mudado para lá há poucos dias. Segundo o delegado Rubens Recalcatti, da delegacia de Araucária, o casal veio do Maranhão recentemente.

A Polícia Militar apurou que Yuri foi morto por vingança, pois estaria envolvido na morte de um traficante da região. Comentou-se no local que a moto estacionada ao lado da casa, inclusive, seria do traficante morto. E foi com base nestas informações que o delegado Rubens Recalcatti, de Araucária, iniciou as investigações.

O crime, segundo ele, também pode estar relacionado com a tentativa de homicídio contra o irmão de Anna Júlia. Thiago Augusto Cardoso, 26, que teria envolvido com drogas, foi ferido com cinco tiros há cerca de 10 dias, na mesma invasão, mas não morreu. A polícia já tem o apelido de um suspeito da tentativa de homicídio.

Apesar de o casal morar há pouco tempo na casa, uma placa de vende-se colocada na cerca leva a crer que o casal já estava se aprontando para mudar de endereço. Populares comentaram que os dois teriam recebido ameaça de morte no início da semana e não tiveram tempo para fugir.

“Foi um crime absurdo. A jovem era trabalhadora. Na carteira de trabalho dela está anotado que trabalhava num mercado e numa empresa de telefonia. Não conseguimos checar se Yuri tinha antecedente criminal porque, pelo fato de ser de fora, não temos acesso às informações”, disse o delegado.