A caçada a um assaltante mobilizou vários batalhões da polícia ontem de manhã, no bairro Batel e no centro de Curitiba. Depois de escapar algumas vezes do cerco, Cleiton de Souza, 19 anos, acabou detido na Rodoferroviária, prestes a embarcar para Francisco Morato, na Grande São Paulo, de onde veio ontem mesmo apenas para roubar. Ele confessou ter baleado um homem que tentava pará-lo após o assalto a um motorista.

Um corretor de imóveis de 37 anos parou sua camioneta Cherokee no cruzamento das ruas Comendador Araújo e Coronel Dulcídio, Batel, às 9h15 de ontem. O Rolex que usava no pulso chamou a atenção de Cleiton, que, armado de dois revólveres, tomou-lhe o relógio e pouco mais de R$ 200,00 em dinheiro.

Logo a vítima encontrou uma viatura da Polícia Militar e comunicou o assalto. Um dos policiais localizou o acusado e passou a persegui-lo, à distância. Nesse intervalo, Itanael João Sehalsine, 25 anos, que passava pela rua, resolveu intervir por conta própria. “Ele correu atrás do ladrão e o agarrou pelo pescoço”, disse um cuidador de carros da Comendador Araújo, que presenciou toda a cena. “Vi que o cara não ia me largar e dei um tiro”, contou mais tarde Cleiton. O flanelinha, depois de fazer um reprimenda ao atirador, chamou o Siate para socorrer Itanael, baleado na barriga. Depois, despistou o policial e teria assaltado uma mulher, fato que ele nega.

Corrida

Cleiton prosseguiu a fuga e despistou o policial entrando numa casa em construção na Rua Menna Barreto Monclaro, já no centro. Escondeu-se embaixo de uma lona preta e depois foi descoberto. “Chegou um casal, contei a história e pedi para chamarem um táxi”, alega o acusado, apesar de a PM contar outra versão. “Ele tomou as vítimas como reféns e as obrigou a ligar para a central de táxi”, afirma o tenente Lima, do 12.º Batalhão da PM, que participou da captura.

O assaltante tomou o táxi e pagou R$ 7,00 pela corrida até a Rodoferroviária. Através da central, a polícia descobriu o destino do acusado e montou o cerco em volta da estação. Com as características descritas pelas vítimas – homem negro, alto e de cabeça raspada – o tenente Lima e um soldado descobriram Cleiton passando-se por cliente dentro de uma loja de presentes e lembranças, no andar superior da Rodoviária. Revistaram a mochila preta dele e encontraram dois revólveres, um de calibre 38 e outro 32, parte do dinheiro da vítima, roupas semelhantes à que usou na hora do assalto, conforme descrição das testemunhas, e um relógio de pequeno valor. O Rolex da vítima, segundo a polícia, não estava na bolsa, fato que desagradou o proprietário.

Preso, Cleiton disse que saiu quarta-feira à noite de São Paulo, sozinho, com intenção de cometer assaltos em Curitiba. “Não conhecia a cidade. Vim pra cá na sorte”, disse, afirmando ser especialista em roubo de relógios, especialmente da marca Rolex. O acusado, que afirma ter sido preso por assaltos em São Paulo, quando era menor, e ser um ex-interno da Febem, foi encaminhado à Delegacia de Furtos e Roubos.