Átila Alberti / Tribuna
Foram quase duas horas de negociação
entre policiais e bandidos.

Uma família viveu horas de terror no início da tarde de ontem, em Campina Grande do Sul. Quatro homens armados de revólveres invadiram a casa de uma chácara, na Rua Taverna, e renderam um casal e uma criança. A polícia chegou em seguida e depois de quase duas horas de negociação, os marginais se entregaram e libertaram os reféns. Um dos bandidos foi apanhado do lado de fora e outros quatro dentro da casa. Um deles ainda tentou se esconder no forro da moradia, mas foi localizado.

Ataque

Eurípedes, que mora em uma chácara nas proximidades, informou que viu os cinco homens ocupando a Parati, placa ACB-6473, de Colombo, rondando a região desde às 11h e ficou preocupado, já que os ataques de assaltantes nas chácaras de Campina Grande do Sul são constantes. “Fiquei observando de longe e preparado para avisar a polícia”, contou. Ele disse que às 13h30 viu a Parati parar e quatro homens desembarcarem, usando capuzes de cor branca. “Não demorou muito e ouvi os gritos lá na chácara”, relatou o homem.

Imediatamente o morador telefonou para a Polícia Militar e repassou o que estava acontecendo. “Fiquei nervoso com a demora e saí na rua para pedir socorro”, salientou Eurípedes. Assim como ele outros moradores das proximidades ligaram para a PM e para a delegacia local. Enquanto aguardavam, resolveram pedir ajuda, momento em que uma viatura descaracterizada, ocupada pelo investigador Gabardo e um colega de serviço, passaram pela Estrada da Roseira e foram parados pelos populares e comunicados do que havia acontecido.

Silvio Martins, que aguardava os comparsas na Parati, foi abordado e preso. Ele mesmo contou que seus “colegas” estavam na chácara. Os dois policiais chamaram reforço pelo rádio. Corajosamente foram até a chácara, a 150 metros da Estrada da Roseira, e tentaram deter os assaltantes. Na tentativa de intimidar os investigadores, um dos bandidos gritou de dentro da casa. “Abaixa que vai tiro”. Enquanto, isso seus colegas aterrorizavam o proprietário da chácara, Roberto Tonoka, 60 anos, sua mulher, Inês Tonoka, 50, e o neto, Leonardo Tonoka, de apenas de 3 anos, e reviravam a moradia, em busca de objetos de valor e dinheiro.

Cerco

Quinze minutos depois chegou a primeira viatura da Polícia Militar, do 17.º Batalhão. Em seguida, muitas outras, da delegacia de Campina Grande do Sul, Quatro Barras, Pinhais, Colombo, do Cope Ä Centro de Operações Policiais Especiais, do Tigre, da Furtos e Roubos, além do COE e da Rone Ä Ronda Ostensiva de Natureza Especial. Eram mais de trinta policiais cercando a casa. Os marginais exigiam a presença da juíza Paula Priscila Kandel Herera para se render.

A 150 metros, uma viatura da Polícia Militar isolava o local e não deixava ninguém passar, nem mesmo a imprensa. A reportagem da Tribuna conseguiu furar o cerco, e chegar bem próximo à casa. Quando viram a câmara fotográfica, os marginais passaram a exigir que os policiais deixassem a imprensa se aproximar. Em seguida, chegou a juíza e avisou que não estava ali para negociar, somente para garantir a integridade física dos assaltantes.

Exatamente às 15h15, os bandidos jogaram as armas e se entregaram. Agnaldo Costa de Oliveira, 22 anos, Joaquim Aécio Ferreira, 34, José Irineu Armora, 37, e Sílvio Martins, 26 saíram algemados. Para se certificar de que todos os assaltantes estavam ali, a polícia perguntou às vítimas, que informaram que haviam quatro. O outro bandido, Valdir Constantino de Oliveira, 23, estava escondido no forro da casa e também foi preso.

O superintendente José Carlos de Oliveira, da delegacia de Quatro Barras, informou que a negociação foi demorada porque um dos assaltantes, José Irineu Armora, estava alcoolizado e com a arma encostada na cabeça de uma das vítimas. “Convencer uma pessoa bêbada a se entregar é muito mais difícil”, comentou José Carlos.

Os presos foram encaminhados à delegacia de Campina Grande do Sul, e autuados por roubo, formação de quadrilha e porte ilegal de arma, pelo delegado Marcelo Lemos de Oliveira.

Irmão do chefe da quadrilha

Segundo informações da polícia, Silvio Martins, 26 anos, é irmão de um poderoso traficante da região, Luís Alberto Martins, 24, que seria o chefe da quadrilha que pratica assaltos em chácaras de Campina Grande do Sul, Colombo, Quatro Barras e Bocaiúva do Sul. Em entrevista à imprensa, Sílvio negou qualquer envolvimento com o roubo. “O carro é do meu irmão. Estão falando que ele é traficante, mas não sei de nada. Eu só estava passando por ali”, desconversou o rapaz.

Valdir Constantino de Oliveira, 23, que estava escondido no forro, alegou que não tem nenhum envolvimento. “Eu estava junto com eles, mas não sabia que estavam armados. Eu pensei que íamos pescar”, alegou o preso, que não carregava nenhum equipamento de pesca.

Foragidos da cadeia de São Mateus do Sul, de onde escaparam há 20 dias, Agnaldo Costa de Oliveira, e Joaquim Aécio Ferreira, alegaram que invadiram a casa porque viram a polícia rondando a região. “Queria preservar a minha vida. Se tivesse que matar, mataria. Prefiro matar do que morrer”, disse Agnaldo, que é casado e pai de dois filhos.

Ele alegou que não deixa o crime por uma questão de sobrevivência. “Trabalhar que jeito? Ganhando R$ 200,00 por mês ninguém vive”, disse o jovem. Agnaldo disse que quando viu dois policiais, achou que ainda era possível escapar, mas com a chegada do apoio, pensou que iria morrer. “Se atirassem, eu atirava também. Não queria morrer. Da cadeia a gente sai, do cemitério não tem jeito”, frisou o rapaz.

José Irineu, preferiu não falar muito. “Está é a primeira vez que fui preso”, resumiu.

Acusados de vários assaltos

A quadrilha desbaratada pela polícia na tarde de ontem em Campina Grande do Sul é suspeita de vários roubos na região contra chácaras e estabelecimentos comerciais. Na noite de quarta-feira, três homens invadiram um supermercado em Quatro Barras e levaram R$ 1.500,00 em dinheiro, e cigarros. “Pelas características pode ser o mesmo grupo. Estamos investigando”, salientou o superintendente José Carlos de Oliveira. O roubo ocorreu às 20h, no Comércio Supermercado Mocelin, na Rua Professor Domingos Mocelin. Os bandidos invadiram o mercado, renderam os funcionários e se apoderaram dos objetos.

O superintendente disse que está investigando a participação dos cinco presos em outros roubos na cidade. “Com certeza com a publicação da fotografia deles na imprensa as vítimas vão reconhecê-los”, acredita José Carlos.