Um preso foi encontrado ensanguentado dentro de uma cela da carceragem da Delegacia de Campo Largo na manhã de hoje (23). Socorristas do Siate estiveram no local e constataram que ele já estava morto.

Valter Macoski, 34 anos, foi preso pela primeira vez na vida por volta das 16h30 de sábado, acusado de agredir a própria mãe durante uma bebedeira. Ele foi autuado pela Lei Maria da Penha e chegou agressivo na delegacia.

De acordo com os plantonistas, ele foi trocado de cela várias vezes para tentar se adaptar com os presos, mas insistiu em ofender e bater nos outros detidos. Por este motivo, na segunda-feira, ele foi colocado sozinho em uma cela de frente para a entrada da carceragem.

Os investigadores já planejavam fazer um ofício pedindo a transferência dele para o Complexo Médico Penal. Enquanto isso, ouviam ele gritar e se debater dentro da cela. Depois de certo tempo, já nem olhavam mais para saber o que estava acontecendo.

Pouco depois das 9h de hoje, os plantonistas da carceragem perceberam que ele estava caído e ensanguentado. A equipe do Siate foi até o local e constatou que ele já estava morto.

De acordo com a perícia do Instituto de Criminalística, ele tinha ferimentos perfurantes na parte interna de um dos braços, mas que não seriam capazes de causar sua morte.

O cano de PVC e a caixa da descarga que ficavam dentro da cela estavam quebrados, e fragmentos destes materiais foram encontrados por todos os cantos. Nenhum destes fragmentos, entretanto, estava com manchas de sangue, indicando que poderiam ter sido utilizados por Valter para se ferir.

O ferimento cortante no braço da vítima poderia, então, ser de uma fratura, e a morte pode ter sido de causas naturais. Apenas um exame minucioso no Instituto Médico Legal poderá resolver o mistério.

Visões

Os policiais mais antigos contam que, há cerca de quatro anos, um preso identificado como Luiz Carlos também quebrou um cano de PVC e cortou o próprio pescoço na cela ao lado da que estava Valter. A cela em que Luiz Carlos morreu é conhecida como ‘seguro‘, onde ficam presos ameaçados.

‘Quase todos os que passaram pelo seguro depois disso contam que viram à noite um homem sentado na cela, olhando para eles‘, conta o superintendente Marcos Gogola. A assombração tirou o sono de muitos deles.

Em março do ano passado, Jair de Oliveira, 53 anos, preso por tráfico, também morreu na carceragem, vítima de um ataque cardíaco. No domingo de Páscoa deste ano, onze presos fugiram. As celas continuam com pelo menos 12 pessoas, em um espaço destinado a cinco.