As buscas pelo corpo do jornalista da TV Globo Tim Lopes revelaram a existência de um grande cemitério clandestino no alto da Favela da Grota, zona norte, onde os inimigos do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, são enterrados depois de executados. Já foram retiradas da terra dezenas de partes de ossos, que estão sendo examinadas pelo Instituto Médico Legal (IML). Hoje, foram encontrados mais fragmentos.

As buscas – que foram acompanhadas, de longe, por olheiros do tráfico – se concentraram na mesma cova onde, na terça-feira, foram encontrados a microcâmera e objetos pessoais de Lopes. Foram recolhidos fragmentos de ossos ainda com sangue e pele, o que significa que pertencem a uma pessoa morta recentemente (o repórter foi morto há 11 dias, segundo informações da polícia). Havia ainda massa encefálica, o que também é um indício de morte recente, projéteis de armas de fogo e pedaços de roupas.

O delegado Carlos Henrique Machado, da Delegacia de Homicídios, acredita que os restos humanos achados hoje podem ser do repórter. “Provavelmente, a cova foi usada para enterrar mais de um cadáver, e um deles pode ser o de Tim Lopes.”

O material passará por exame de DNA. O resultado pode levar até um mês para sair. “A identificação é muito difícil, porque não há um único osso que esteja inteiro”, disse Machado.

Exames já constataram que as arcadas dentárias e o crânio encontrados ontem não eram de Lopes, embora o secretário de Segurança Pública, Roberto Aguiar, tenha afirmado com “99% de certeza” que os pedaços de ossos achados naquele dia eram do jornalista.

A viúva do repórter, a estilista Alessandra Wagner, era aguardada hoje na delegacia para reconhecer a camisa encontrada pela polícia na mesma cova. No tecido há marcas de sangue e de pele. Até o início da noite, Alessandra não havia comparecido.