Ricardo é acusado de golpe
no valor de R$ 19 milhões.

Operação do Serviço de Inteligência da Polícia Militar e da Divisão de Investigações Criminais (DIC) de Florianópolis (SC), resultou na prisão em flagrante do carioca Ricardo Fernando Trindade Ferreira, 39 anos, na noite de sexta-feira, em Itapema, no Litoral Norte catarinense. Ele falsificava fichas metálicas de vales-transporte, utilizados por usuários da Rede Integrada de Transporte (RIT) de Curitiba e Região Metropolitana. O golpe, segundo avaliação da polícia catarinense, já teria causado um prejuízo em torno de R$ 19 milhões às empresas de transportes coletivo e intermunicipal. Na casa do suspeito a polícia apreendeu, além de milhares de fichas metálicas, quatro vales de papel que seviriam de matriz para novas falsificações.

Somente a carga apreendida com ele valia cerca de R$ 19 mil. Ricardo pode ser o mesmo homem que o delegado Gerson Machado, titular da Furtos e Roubos, vinha procurando desde o início de julho, quando investigadores daquela delegacia prenderam uma quadrilha acusada de falsificação e venda de VTs “frios” em Curitiba.

De acordo com Machado, o líder da quadrilha seria fornecedor de diversos outros revendedores de fichas falsas e responsável por um derrame de até 300 mil vales-transporte por dia, em Curitiba e região, nos últimos meses. “A polícia de Santa Catarina ainda não entrou em contato conosco para podermos esclarecer se é a da mesma pessoa”, explicou o delegado.

Caixas

Ferreira tentou enganar os policiais e mostrou documentos em nome Marco Antonio Simonir. No entanto, quando viu que não iria adiantar em nada sua encenação, indicou seu verdadeiro nome. Ele foi levado para a DIC, em Itajaí, e autuado pelo delegado Rui Garcia dos Santos. Na casa dele, em Meia Praia, os policiais apreenderam caixas com cerca de 12 mil fichas, de acordo com o escrivão da delegacia de Itajaí.

Ferreira disse que comprava as fichas frias por R$ 0,50 e as revendia por R$ 1,00 em bancas de jornais e farmácias de Curitiba. O acusado afirmou também que os vales-transporte falsos vinham de São Paulo. Ele já respondeu inquérito e esteve preso no Rio de Janeiro por tráfico de drogas.

Denúncia

Há algum tempo a polícia vinha recebendo denúncias contra o falsário e a casa dele já vinha sendo observada. Na sexta-feira a PM foi avisada que chegaria um grande carregamento na casa e pediu apoio da DIC de Florianópolis. Amparadas por mandado de busca e apreensão as equipes invadiram a residência encontrando uma montanha de vales-transporte de metal. No momento em que Ferreira estava sendo detido chegou na residência o taxista Nivaldo Walachinsky, 51 anos. No veículo dele a polícia localizou resmas de papel e tintas, utilizados em serviços gráficos.Durante depoimento ao delegado Rui Garcia dos Santos, da DIC de Itajaí, o taxista declarou que acreditava que Ferreira estivesse montando uma gráfica. Ele foi ouvido e liberado posteriormente.

Quadrilha

Em julho passado, investigadores da DFR de Curitiba prenderam Leonice Gonçalves Soares, 50, com mais de 3 mil vales-transporte falsificados. Também foram presos o cobrador Eros Roberto Portes e o comerciante Júnior César de Souza. Os dois homens estavam com cerca de mil fichas falsas e eram receptadores de Leonice. Ela contou à polícia que pegava o material falsificado com um fornecedor, que a cada “carregamento” lhe entregava 6 mil vales-transporte, mas não forneceu o nome dele.