Hélio de Góis, o “Escaba”.

O cumprimento de um mandado de prisão por roubo, executado por policiais da delegacia de Pinhais, está esclarecendo outro crime ocorrido em Curitiba, em outubro deste ano: o arrebatamento de presos do 11.º Distrito Policial (Cidade Industrial). Na ocasião, dia 20, um grupo composto por cinco homens e uma mulher rendeu os policiais de plantão e propiciou a fuga para 19 detentos. O alvo principal era arrebatar um preso com envolvimento no tráfico de drogas.

De acordo com o delegado Gerson Machado, titular de Pinhais, os investigadores prenderam Hélio Maciel de Góis, 30 anos, conhecido por “Escaba”, nas proximidades da sua casa, na Avenida Porto Alegre. Ele estava com mandado de prisão emitido pela Justiça por um roubo realizado contra caminhão, em 2001, e também por ser suspeito de participar do arrebatamento de presos. Um menor (16 anos) também foi detido, pela mesma acusação.

Isca

Em suas declarações ao delegado, os detidos confirmaram a participação no arrebatamento, juntamente com outros homens e uma mulher conhecida apenas por Sandra. Foi ela quem serviu como isca para que os plantonistas do 11.º DP fossem rendidos pelos demais marginais. Segundo o delegado, o nome dos outros integrantes do grupo já foram levantados e há possibilidade de ter a participação de policiais. Os documentos obtidos por Machado serão encaminhados ao delegado Taborda, responsável pelo 11.º DP.

Hélio revelou que participou como olheiro do grupo, ficando do lado de fora do distrito. Para esse serviço ele deveria receber 50 gramas de crack ou maconha como pagamento. “Tava sem nenhuma arma. Trabalhei como olheiro mas não recebi nada do combinado”, reclamou Hélio, que afirmou que, num atentado realizado contra ele, no ano passado, chegou a levar cinco balaços. “Fui dado até como morto”, lembra-se.

O menor contou que chegou a entrar no distrito policial para ajudar no arrebatamento. Sobre a participação dos outros integrantes, ele preferiu não comentar nada. Disse apenas que já contava com passagens por tráfico de drogas e assalto.

No arrebatamento, os fugitivos chegaram a levar uma viatura da polícia, que foi abandonada posteriormente, e também uma metralhadora. Sobre a arma, a polícia já descobriu que ela esta nas mãos de um traficante da CIC. “A metralhadora foi oferecida inicialmente para um traficante de Pinhais, mas não houve acerto. Então foi levada para a CIC e trocada por 250 gramas de cocaína e um revólver calibre 38”, explicou o delegado Machado.

Fuga

Por volta dos 30 minutos da madrugada do dia 20, uma mulher chegou até o distrito fingindo a intenção de registrar uma queixa. Quando os plantonistas abriram a porta para recebê-la, foram surpreendidos por cinco homens que os renderam, alguns deles armados. Naquele horário, três policiais estavam na delegacia. Os invasores agrediram um dos plantonistas e abriram uma das três celas da carceragem que estão funcionando. As demais celas (sete) estão em reparos devido as fugas anteriores.