Acusados de seqüestrar e matar o estudante de Direito Paulo Roberto Margoto Moneda Júnior, o “Paulinho”, de 21 anos, o ex-guarda municipal Fábio Nino Gonçalves, 30, e seu irmão Ricardo Alexandre Nino Gonçalves, 27, foram presos ontem de manhã no centro de Curitiba. O crime ocorreu no dia 18 de outubro de 2002, em Águas da Prata (SP), e a história foi apresentada anteontem por um programa de TV em rede nacional.

O telefonema anônimo de um telespectador, que reconheceu os acusados pelas fotos mostradas no programa, possibilitou a captura dos irmãos. Os dois moravam há seis meses em uma pensão na Rua Mariano Torres, onde foram localizados e detidos por policiais militares do Serviço Reservado (P-2), às 11h de ontem. “Eles usavam documentos falsos e mantinham-se com serviços como entregar pizza. Estavam desarmados e entregaram-se sem resistência”, contou o tenente Periguary Dias Fortes, da sala de imprensa da PM. Nenhum dos detidos quis mostrar o rosto ou fazer declarações à imprensa.

Fábio, que era agente da Guarda Municipal (GM) da capital paulista, passava os fins de semana em Águas da Prata, perto da divisa com Minas, em uma casa alugada vizinha à de Paulinho, cujo pai é dono de uma imobiliária. Casado e pai de dois filhos, Fábio era companheiro do estudante em um time de futebol.

Com a ajuda do irmão Ricardo e do também guarda municipal Marcelo Rodrigues Ferreira, 29, que está foragido, Fábio planejou seqüestrar Paulinho e pedir o resgate à família. Mas a vítima teria reconhecido Fábio pela voz. Com o plano frustrado, o estudante foi baleado três vezes na cabeça em uma estrada de terra na saída da cidade. Uma testemunha, que passava de bicicleta, conseguiu avisar a polícia. Paulinho ainda foi socorrido com vida, mas não resistiu. Perto do local do crime, a polícia da cidade encontrou uma farda da GM e a arma do crime.

Dias depois do assassinato, Fábio deixou a casa em Águas da Prata e não deu mais notícias. Ele e Marcelo foram demitidos por abandono de emprego.

Os irmãos presos serão encaminhados pela polícia do Paraná à Justiça de São Paulo, que já havia expedido mandados de prisão.