O ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho disse ontem, no Tribunal do Júri, não lembrar do acidente em que matou Gilmar Souza Yared e Carlos Murilo de Almeida, em maio do ano passado, Mossunguê. O juiz Daniel Surdi de Avelar por sua vez, ainda não decidiu se o ex-deputado irá a júri popular. Carli Filho saiu do Tribunal escoltado, sem falar com a imprensa, sob gritos da população de “assassino”.

A decisão sobre a possibilidade de júri popular sairá em um mês. Isso porque ainda falta ouvir duas testemunhas por carta precatória (já que vivem fora de Curitiba). Segundo Avelar, quando ele estiver com essas duas oitivas nas mãos começará a contar o prazo de manifestação da defesa, da acusação e, por fim, dele mesmo. Cada uma das partes terá cinco dias para se manifestar. Somente depois disso é que será decidido se Carli Filho vai a júri popular. Não há prazo para que as cartas precatórias sejam finalizadas.

Bebida

Durante o interrogatório (que durou cerca de uma hora) Carli Filho admitiu ter bebido antes do acidente. “Ele se recorda de ter ido jantar e de ter bebido, mas não se lembra quanto. Ele afirmou que se lembra apenas de ter acordado no hospital”, afirmou o juiz. Sobre a carteira de habilitação cassada, o advogado da família de Yared, Elias Mattar Assad, contou que o ex-deputado se esquivou. “Ele lembrou que o carro era usado pelas pessoas do gabinete, mas não da carteira cassada”, disse Assad. Para a polícia civil, Carli Filho já tinha dito também que não se lembrava dos fatos.

A mãe de Gilmar Yared, Christiane, estava muito emocionada. “Eu esperava respostas, aliás, a sociedade espera respostas. Eu tenho direito de saber o que ocorreu naquela madrugada, na qual dois jovens morreram brutalmente”, disse ela.

Indiciamento

O ex-deputado foi indiciado pelo Ministério Público Estadual (MP), em agosto do ano passado, por duplo homicídio com dolo eventual e por dirigir embriagado. O inquérito policial concluiu que o Passat do ex-parlamentar estava a 167 km/h, quando atingiu o Honda Fit dos rapazes. Perícia paralela, realizada pela defesa da família Yared, havia indicado que o carro trafegava a 191,52 km/h.

Arquivo
Gilmar e Carlos Murilo foram esmagados pelo Passat.

Drible em jornalistas e manifestantes


Mara Andrich

Carli Filho chegou ao Tribunal do Júri por volta das 13h15. O local estava lotado de jornalistas, curiosos e pessoas que passaram pelo mesmo drama das famílias Yared e Almeida. O ex-deputado entrou pelo plenário de júri, e saiu por uma porta secundária, que dá acesso direto às salas de audiência, sem ser percebido.

A audiência, marcada para às 13h30, iniciou por volta das 14h. Na saída, Carli Filho saiu pela mesma porta, escoltado, e foi xingado de “assassino” várias vezes.

Condenado em dois anos

Redação

Arquivo
Caminhoneiro bêbado passou sobre Gol de vereador.

Enquanto o caso Carli Filho se arrasta a mais de um ano, para outro acidente similar, mas que envolveu um político entre as vítimas, o processo foi bem mais rápido. Rodrigo Olívio, 27 anos, foi condenado, em júri popular, a 15 an,os de prisão por matar cinco pessoas da mesma família com seu caminhão. Entre os mortos estava o vereador de Piên, Jair Kurovski, 36. O julgamento ocorreu no mês passado, dois anos depois do acidente, no Tribunal do Júri de Fazenda Rio Grande.

Em 13 de junho de 2008, na BR-116, em Mandirituba, Rodrigo dirigia um caminhão, sem carteira de habilitação e embriagado. Ele tentou fazer uma ultrapassagem e passou por cima do Gol onde estavam as vítimas. Além do vereador, morreram também a esposa dele, Célia, 36, a irmã Jussara, 32, a sobrinha Betina, 15, e a filha Jaine, 13. O rapaz permaneceu preso desde o trágico acidente.