O Carnaval foi violento em Curitiba e região. Em pouco mais de quatro dias, 26 assassinatos, 21 por armas de fogo e cinco por armas brancas, foram registradas no Instituto Médico-Legal (IML). O número de homicídios foi o dobro do registrado no mesmo feriado do ano passado.

De acordo com o relatório do IML, de sábado até ontem de manhã, 10 pessoas morreram baleadas em Curitiba. Outros 11 corpos, vindos de São José dos Pinhais, Campo Largo, Itaperuçu, Piraquara, Rio Branco do Sul, Almirante Tamandaré e Fazenda Rio Grande, também deram entrada no instituto feridos por tiros. Segundo o site Crimes Curitiba, no carnaval do ano passado ocorreram 11 homicídios por armas de fogo, oito em Curitiba e três em Colombo, onde, neste ano, não foi registrado nenhum assassinato.

Foram ainda cinco mortes por arma branca, principalmente faca, no mesmo período, duas em Curitiba e três em Almirante Tamandaré, Rio Negro e Araucária. No Carnaval do ano passado uma pessoa morreu vítima de arma branca em Curitiba e outra em Piraquara. A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que não se pronuncia sobre dados extraoficiais de homicídios. Os dados oficiais são divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp) a cada três meses.

Empresário

Um dos homicídios que marcou o feriado foi o do empresário Nestor Francisco da Silva Filho, 54 anos, na noite de domingo, em Rio Branco do Sul. De acordo com o delegado Wilciomar Voltaire Garcia, ele chegava a um bar na rua Gertudrez Mangger da Rosa, próximo ao limite com Cerro Azul, quando foi baleado por cinco encapuzados. “Estamos vendo junto à família e à empresa se ele tinha alguma desavença com alguém, porque, pela forma como foi descrito, foi execução”, afirmou o delegado.

Além das mortes registradas, quatro pessoas foram esfaqueadas na noite de domingo em uma confusão no Curitiba Rock Carnival, na Praça Eufrásio Correa, Centro. O suspeito Adriano Souza Martins, 27 anos, foi preso em flagrante e está no 1.º Distrito Policial. De acordo com o delegado Rubens Recalcatti, o que ocorreu foi briga entre punks e skinheads. “Ele alega que saiu em defesa do amigo dele, agredido pelas pessoas que sofreram as facadas”, diz o delegado.

Uma das vítimas, de 48 anos, alegou que foi ferida ao tentar socorrer o amigo da filha. “É um absurdo dizerem que sou skinhead apenas por ter tatuagens. Tentei apartar a briga e por isso tomei uma facada”, disse Gilson José Pinto, ferido no peito.