Gilmar Wojcik, 33 anos, pedreiro, e a mulher dele, Roseli de Almeida Bueno, 31, empregada doméstica, nem tiveram tempo de esboçar reação: na cama em que dormiam, foram assassinados a tiros, às 5h de ontem. O crime ocorreu na casa das vítimas, na Rua Florianópolis, Vila Macedo, em Piraquara, e já tem suspeitos. Um adolescente de 17 anos, parente do pedreiro e que também teria participação no assassinato de um irmão de Gilmar, há um mês, está sendo procurado pela polícia. E um rapaz – Juliano Palhano Duarte, 22 anos – apontado como outro envolvido no duplo crime -, foi detido no início da tarde de ontem e submetido a exame de parafina nas mãos, no Instituto de Criminalística. Tráfico e consumo de drogas estariam por trás das três mortes.

Na noite de 7 de agosto, um sábado, o auxiliar de produção Nilson José Wojcik, 35 anos, irmão de Gilmar, foi baleado em um bar localizado na Rua Belo Horizonte, Vila Macedo, e morreu a caminho do hospital. Na data do crime, o adolescente foi apontado como autor e mais tarde depôs na delegacia da cidade. “Três pessoas teriam participado do assassinato, mas apenas uma delas, um garoto de 16 anos, assumiu sozinho a culpa e a Justiça liberou o parente da vítima e o terceiro suspeito”, relatou o superintendente da delegacia de Piraquara, Valdir Bicudo. O adolescente que assumiu o crime continua apreendido.

Crack

Segundo o policial, Nilson, no mesmo dia em que foi morto, proibiu o parente de entrar em sua casa, uma vez que o rapaz costumava consumir crack ali dentro. “A vítima flagrou a enteada com um cachimbo usado para fumar a droga”, disse Bicudo. O crime teria sido uma vingança contra essa proibição.

Depois do homicídio, o menor teria sumido da cidade, mas reapareceu há poucos dias. De acordo com Bicudo, Gilmar soube disso e comentou com algumas pessoas que iria denunciá-lo à polícia. “Suspeitamos que o adolescente tomou ciência da intenção de Gilmar e decidiu matá-lo. Roseli foi assassinada para não testemunhar contra o autor”, disse o superintendente. Os matadores arrombaram a porta de entrada da casa das vítimas e foram direto para o quarto, onde os dois foram executados. O casal não tinha antecedentes criminais e era considerado pacato pelos vizinhos.

Investigação

Procurado ontem de manhã por investigadores, o adolescente não foi localizado. Para o superintendente, o sumiço reforça a suspeita sobre o menor, que estaria ameaçando matar mais duas pessoas, entre elas outro membro da família, que solicitou proteção à polícia com medo de ser a próxima vítima. “Este adolescente seria revendedor de drogas de um traficante da região. Estamos no encalço de ambos”, disse o policial, que suspeita do envolvimento de pelo menos mais três pessoas no crime, além de Juliano, que está preso.

No início da tarde de ontem, os investigadores localizaram e detiveram Juliano, que após realizar o exame de luva de parafina, no Instituto de Criminalística (este exame aponta se o suspeito fez ou não uso de arma de fogo, já que detecta pontos de nitrato nas mãos), confessou seu envolvimento na trama. O resultado do exame deve sair hoje, mas com a confissão as coisas ficam mais claras”, explicou Bicudo, assegurando que o suspeito foi autuado em flagrante como co-autor do duplo homicídio.

Ainda de acordo com o policial, na Vila Macedo o uso de crack tem aumentado consideravelmente e requer uma operação intensiva de combate à droga na região.