Usuários de crack foram assassinados na tarde de ontem, no Jardim Gabineto, Cidade Industrial de Curitiba. A jovem, identificada apenas como Laudiceia, 19 anos, morreu num bosque frequentado por viciados depois de levar três tiros na cabeça.

O namorado dela, Reginaldo Santos Pinto, 39, também foi atingido com dois disparos na cabeça e morreu ao chegar no Hospital Evangélico. Policiais militares do 13.º Batalhão receberam a informação de que Laudiceia estava grávida de poucos meses, mas apenas exames do Instituto Médico-Legal (IML) confirmarão a gravidez.

O bosque onde o casal foi baleado fica atrás de uma indústria de blocos de concreto e paralelo à Rua Adari Fernando Visinoni. O local, segundo o tenente Marcos Vinícius, é frequentado por usuários de drogas e suspeita-se que Laudicéia e Reginaldo estavam consumindo crack quando foram baleados, por volta de 15h30 de ontem.

A mãe de Reginaldo, Tereza Santos Pinto, 59, que mora a menos de uma quadra do bosque, disse que ouviu seis disparos. O marido dela e uma das filhas que voltava do trabalho subiram a trilha até o matagal e encontraram Reginaldo agonizando, ao lado da jovem morta. Eles acionaram o Siate, que encaminhou Reginaldo ao hospital.

O corpo de Laudiceia, que não portava documentos, estava em meio a mudas de roupa, tocos de cigarro e diversos pedaços de plástico usados para enrolar buchas de crack.

Segundo levantado pela polícia, o ex-marido de Laudiceia também foi assassinado na região, da mesma forma, há cerca de seis meses. Por causa disso, a PM acredita que a dupla execução foi mando de algum traficante. Já o investigador Pimentel, da Delegacia de Homicídios, pensa diferente.

“Acho que eles se desentenderam com outro usuário que estava armado”, contou. Como se trata de um local ermo, ninguém testemunhou o crime. Moradores da região dizem que o local é um “antro de viciados” e que a polícia precisa tomar providências.

Vício

Desolada, ainda sem saber da morte do filho, Tereza revelou que Reginaldo se “engraçou” com a jovem depois que o marido dela foi morto e começou a sustentá-la. “Ele vivia dando prato de comida para ela. Até que chegou um dia que ele nos abandonou e começou a vagar pelo bairro junto com a moça”, contou.

Tereza disse ainda que Laudiceia seria de Araucária. Segundo ela, o filho era um rapaz trabalhador, mas o vício fez com que ele se perdesse na vida. A família disse que Reginaldo começou a usar drogas aos 12 anos e há dez se entregou ao crack.