Se a esperança do juiz Daniel Avelar, da 1.ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, era por fim a uma agonia de 19 anos, conforme afirmou ao ler a sentença de condenação de 21 anos e 4 meses de reclusão para Beatriz Cordeiro Abagge, 47 anos, no sábado (28), a realidade está muito longe de atender a expectativa do magistrado.

Como numa arena, defesa e acusação continuam se digladiando em torno da morte de Evandro Ramos Caetano, 6, ocorrida em Guaratuba, em abril de 1992.
Trocando farpas pela imprensa, e vez por outra o Ministério Público acusando a própria imprensa de divulgar matérias que supostamente favoreceriam a acusada, tanto defesa quanto promotores não se satisfizeram com o resultado do julgamento.

Na quinta-feira, a defesa (a cargo do advogado Adel El Tasse) protocolou recurso no Tribunal do Júri pedindo anulação do julgamento. A alegação é de cerceamento de defesa, baseado em pedidos de exames que não foram feitos e no desaforamento do caso do Fórum de São José dos Pinhais para o tribunal de Curitiba. Na verdade, estas são teclas já bem batidas por defensores anteriores que também não conseguiram êxito em seus pedidos.

A equipe de El Tasse entrou em cena 30 dias antes do julgamento de Beatriz. Nos 19 anos pelos quais o caso se arrasta, já se perderam as contas de quantos advogados nele atuaram, alguns do calibre de Osmann de Oliveira, Ronaldo Botelho, Antônio Figueiredo Bastos, Ronaldo Albizu de Carvalho, e outros.

A resposta

Anteontem foi a vez do Ministério Público de apelar. Os promotores buscaram dar uma resposta à altura e colocaram em xeque inclusive a decisão do juiz, em permitir que Beatriz Abagge aguarde em liberdade o recurso da defesa.

Eles entendem que somente o juiz da Vara de Execuções Penais pode decidir sobre isso. Também dizem que o juiz Avelar não poderia diminuir a pena em virtude da confissão da ré, pois ela sempre negou a prática do crime.

Porém a mesma confissão, obtida de forma duvidosa (defesa e acusada asseguram que foi conseguida mediante tortura), foi usada pela acusação para incriminá-la.

O que os promotores querem é que a pena seja aumentada e Beatriz a cumpra em regime fechado. A defesa, por sua vez, quer anular o julgamento, que durou 32 horas e aconteceu nos dias 27 e 28 do mês passado.