Cadáver foi retalhado em nove partes.

Cabeça de um lado e as duas coxas de outro, jogadas no córrego raso. Dentro de uma bolsa de náilon, as demais partes do cadáver esquartejado, incluindo o pênis extirpado. Cena chocante presenciada por policiais, bombeiros, repórteres e curiosos, aglomerados ontem de manhã sobre a ponte de madeira do Rio Guaíra, na Rua Augusto de Mari, Parolin. Ninguém sabe quem é o rapaz esquartejado e muito menos a razão de tamanho sadismo.

O zíper da bolsa verde abriu-se com o impacto do arremesso – ou foi aberto por algum desavisado – expondo na água os primeiros pedaços do cadáver. Depois do resgate dos bombeiros, descobriu-se que o corpo fora retalhado em nove partes – cabeça, pernas subdivididas na altura do joelho, braços, tronco e os órgãos genitais. Quase tudo embrulhado em jornais.

Segundo a perita Jussara Joeckel, da Polícia Científica, o homem foi morto a facadas – várias perfurações apareciam pelo corpo. “E provavelmente houve luta, pois ele tinha um ferimento de defesa na mão esquerda”, acrescentou.

A mutilação do cadáver foi precisa e feita por alguém com noções de anatomia, observou a perita. E a quase ausência de sangue dentro da bolsa indicava que o crime fora cometido em outro local. “Em algum ponto da cidade houve grande escoamento de sangue”, disse Joeckel, que, embora, experiente, confessou-se espantada com a violência do homicídio.

Carro

Uma testemunha disse à Polícia Militar que viu dois homens e uma mulher lançando a bolsa no córrego, às 6h de ontem. Eles teriam fugido num carro cinza, provavelmente um Gol, demonstrando tranqüilidade.

A vítima não foi reconhecida pela polícia ou por moradores da região. O rapaz tinha aproximadamente 25 anos e várias tatuagens nos braços e pernas, como caveiras, palhaços, uma águia junto ao sol, uma caixa-surpresa e uma tribal.

Como a identidade da vítima é desconhecida, as razões do assassinato permanecem no campo da suposição. “É um típico acerto de contas entre bandidos. Mas só saberemos depois que a vítima for identificada”, falou o delegado Átila Roesler, da Homicídios, responsável pela investigação do caso. A hipótese de crime passional, levantada pela secção dos órgãos genitais, também está sendo considerada.